Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 23/04/2019

A Declaração Universal dos Direitos Humanos - promulgada em 1948 - assegura a todos os indivíduos o direito à saúde. Entretanto, cada vez mais, a obesidade atinge crianças e adolescentes do mundo todo, o que impede que tal direito seja realidade. Com efeito, é notável um cenário desafiador seja pelos hábitos alimentares atrelados à publicidade , seja pelo novo estilo de vida sedentário.

Em primeiro plano, o apelo midiático exerce influência histórica na construção de um cardápio pouco saudável. A esse respeito, os sociólogos Adorno e Horkheimer propuseram o conceito de Indústria Cultural,segundo o qual há tentativa midiática de padronizar os comportamentos da população e facilitar o consumo. Nesse contexto, as grandes empresas de comida industrializada uniformizam propagandas, sabores e produtos, a fim de impor à sociedade, principalmente jovens, o modelo invariável de “fast-foods”. Essa realidade é dilucidada no documentário brasileiro “Muito além do peso” que aborda a qualidade da dieta infantil e os efeitos nefastos da comunicação mercadológica de alimentos. Todavia, não é razoável que a imposição publicitária persista em incentivar hábitos alimentares inapropriados para manutenção da saúde dos indivíduos em um Estado de Direito.

De outro plano, o sedentarismo - ausência de atividades físicas ou esportivas - potencializa a obesidade infantil. Sob esse viés, segundo o escritor brasileiro Paulo Coelho “O caminho digital é sem volta”. Logo, nota-se a crescente popularização de tecnologias e a velocidade com que a “Geração Z” se apropria desses aparelhos. Desse modo, crianças mergulham antecipadamente no universo virtual, deixando de lado brincadeiras saudáveis, como jogar bola, pique-esconde,amarelinha e entra outros. Todavia, o resultado dessa substituição já pode ser observado nos números, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o sedentarismo já atinge 124 milhões de crianças e jovens entre 5 e 19 anos no mundo, dos quais 43 mil já são consideradas obesas.

Urge, portanto, que o direito à saúde seja, de fato, assegurado na prática. Nesse sentido, a sociedade civil organizada deve, mediante debates nas mídias televisivas e sociais, repudiar o incentivo publicitário infantil ao consumo alimentar pouco saudável, a fim de criticar a padronização imposta pela Indústria Cultural.Essa iniciativa cidadã é essencial pois pressionaria a indústria alimentícia a minimizar o uso de gorduras hidrogenadas nos produtos de consumo diário e colaboraria para uma mudança na dieta das crianças.Ademais,as escolas competem orientar e instruir seus alunos, por meio de aulas e palestras,sobre a importância da prática de exercícios físicos ou esportivas para o organismo humano, com o objetivo de mudar comportamentos sedentários e contribuir para um estilo de vida saudável. Dessa forma, a obesidade distanciar-se-á da realidade mundial.