Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 10/05/2019

Desafios do combate à obesidade infantil

“É bom ser criança, ter amigos de montão, fazer cross saltando, tirando as rodas do chão. Soltar pipas lá no céu, deslizar sobre patins…”. O trecho da música de Toquinho, remete a uma infância feliz e saudável, fato que deveria ser direito de todas as crianças. Todavia, com o ritmo açodado da sociedade moderna, a obesidade atinge milhões de jovens no Brasil, impedindo-os de desfrutarem dessa fase da vida. O quadro caótico no nosso país tende a piorar por fatores de ordem educacional e econômica. Nessa perspectiva, cabe avaliar os fatores que favorecem esse quadro.

As escolas possuem um papel importante no ensino dos menores e devem informa-los dos fatores de risco e formas de prevenção da doença. Portanto, ao deixarem esse assunto de lado, estão negligenciando saúde aos estudantes que não compreendem a relevância desse distúrbio, caso de muitas instituições estudantis. Segundo Paulo Freire, filósofo brasileiro, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda. Desse modo, é inadmissível que a sociedade aceite a indiferença das fundações de ensino perante o assunto.

Faz-se mister, ainda, salientar as grandes empresas alimentícias como impulsionadoras desse problema. Para lucrar, as indústrias fazem uso de diversas propagandas onde seus produtos se tornam indispensáveis para a felicidade e realização pessoal do consumidor, como o famoso slogan da Coca-Cola “Abra a felicidade! ”. Segundo a pesquisa francesa Eurodata TV Worldwilde do ano de 2005, as crianças brasileiras são as que mais passam tempo em frente à TV em todo o mundo e de acordo com uma pesquisa da TNS em outubro de 2003, o consumismo infantil é responsável por 80% das decisões de compra de uma família. Dessa forma, atingem principalmente o público mais vulnerável que é estimulado ao consumo excessivo e desenfreado de produtos de baixo valor nutritivo. Diante do exposto, é inaceitável que medidas não sejam tomadas para reverter esse cenário.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para combater à obesidade infantil. Assim, para que isso ocorra, as famílias, em conciliação das escolas, devem conscientizar as crianças por meio de diálogos em casa e debates em sala acerca da importância de uma alimentação balanceada e a prática de exercícios físicos regulares. O governo também é parte fundamental dessa solução, intermediando as propagandas alimentícias por meio dos órgãos responsáveis pela mídia. Espera-se, assim, que o país apresente uma redução nos casos da doença e que as gerações futuras possam desfrutar de uma vida melhor e se tornarem pessoas melhores.