Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 22/05/2019

Conforme o filósofo Aristóteles, “a ação ou omissão de um indivíduo reflete diretamente no outro”. Nesse sentido, evidencia-se a colocação da Organização Mundial da Saúde (OMS) ao considerar a obesidade, em especial a infantil, uma epidemia mundial. Esse cenário é fruto da manutenção de maus hábitos alimentares, bem como da carência de atividades físicas desde a tenra idade.

Em primeiro lugar, cabe pontuar a atuação da família na construção de uma rotina alimentar saudável. Segundo o psicólogo Jean Piaget, a heteronomia — fase de influência de pais e de responsáveis — é a mais preponderante na formação da consciência moral do indivíduo. Desse modo, a educação alimentar na infância, inclusive desde o desenvolvimento fetal, de forma a preferir alimentos naturais em vez de alimentos ultraprocessados, é decisiva para a formação de adultos saudáveis.

Além disso, compreende-se o papel da “Modernidade Líquida” — obra escrita pelo sociólogo Zygmunt Bauman — na criação de um ambiente social sedentário. Nessa lógica, tendo em vista a sociedade contemporânea, as relações tornaram-se líquidas — superficiais — o que refletiu diretamente no cotidiano familiar. Assim, a prática de brincadeiras e de esportes foi substituída pela facilidade de tablets e de celulares. Isso influenciou no sobrepeso infantil, já que afetou o equilíbrio do balanço energético do organismo.

Infere-se, portanto, que “o importante não é viver, mas viver bem”. Essa máxima do filósofo Platão demonstra que a qualidade de vida é mais importante que a própria existência. Com isso, cabe ao Ministério da Saúde em parceria com as secretarias de saúde e de educação atuar nas creches e nas escolas para conscientizar as crianças, os jovens e, por conseguinte, as famílias sobre a relevância de uma rotina alimentar, física e familiar saudável. E deve fazer isso por meio de gincanas e de saraus que aproximem os pais. Poder-se-á, assim, mitigar essa epidemia elencada pela OMS.