Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 21/06/2019

A obra “a fantástica fábrica de chocolates” representa, sobretudo, a persuasão de um concurso promocional sobre o público infantil. Desse modo, fora do ambiente cinematográfico, a intervenção midiática sobre a alimentação dessa parcela populacional, constrói uma problemática. Diante disso, cabe analisar, a partir de uma perspectiva da complexidade de Edgar Morin, a influência da globalização e os embates presentes no combate à obesidade infanto-juvenil no âmbito pós moderno.

Sob essa ótica, à luz da filosofia de Bauman, a modernidade líquida representa, infelizmente, uma influência direta no aumento do número de crianças acima do peso. De tal maneira, a falta de tempo dos pais, causada pela rotina exaustante das grandes cidades, e a influência midiática de grandes redes de “fast-food” resultam em uma maior procura de alimentos industrializados, um erro crasso para quem busca uma alimentação correta dos filhos. Ademais, conforme prescreve Milton Santos, pode-se concluir que, no contexto da alimentação infantil, os processos globalizacionais deixaram de ser uma fábula e tornaram-se perversidade.

Outrossim, os desafios do combate à corpulência infantil não reservam-se ao núcleo familiar, uma vez que, tangem uma problemática de maiores proporções. Se por um lado, segundo o ministério da saúde, um terço da população de 5 a 13 anos apresenta ao menos excesso de peso, podendo somar, até 2050, mais de 11 milhões de crianças na mesma situação. Por outro lado, a alimentação incorreta, em tal fase do crescimento, é um grande fator de risco à doenças crônicos-degenerativas na fase adulta, como diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares.

Em suma, a corpulência infantil retrata, em sua totalidade, uma problemática que atinge não só uma, mas diversas áreas da sociedade; logo, faz-se mister a ação em sinergia nas esferas acadêmica, da saúde e governamental. De tal forma, urge que pesquisadores da área da nutrição e da psicologia trabalhem, de maneira interdisciplinar com seus núcleos de pesquisa, em materiais de conscientização familiar sobre os perigos da obesidade infantil, além de dar o enfoque de como grandes mídias, como o meio virtual, podem influencia-los negativamente. Além disso, cabe ao ministério da saúde utilizar essas produções em escolas e casas de apoio ao ensino, através de palestras, teatro e jogos. Por fim, cabe ao estado prover, a partir de um valor fixo previsto no orçamento anual da união, o subsídio necessário para tais iniciativas de conscientização, além de evitar que grandes empresas, como a do fictício “Willy Wonka”, utilizem da persuasão para obter maior lucro, sem levar em conta a saúde populacional do público infantil.