Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 23/06/2019

A canção “Geração Coca-Cola”, lançada em 1985 por Renato Russo e Dado Villa-Lobos, retrata não somente um governo aberto ao processo de globalização, mas também uma juventude guiada pela influência midiática e, consequentemente, pelos princípios capitalistas. Na atualidade, a persistência dos avanços tecnológicos e a busca pela praticidade são fatores determinantes para a instauração de uma alimentação cada vez menos saudável. Não obstante, o quadro culmina no crescimento exacerbado da obesidade infantil, seja pelo estilo de vida sedentário, seja pela dominação da mídia.

Em uma primeira instância, observa-se a importância de analisar o problema sob um viés consequencial. Durante a Pré-história, a prática da caça como fonte de alimentação e a fuga por instintos de sobrevivência, propiciou a formação de indivíduos mais ativos. Séculos depois, a eclosão da Revolução Industrial não somente impulsionou o capitalismo, mas resultou em modificações do estilo de vida com redução das atividades físicas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 70% das pessoas sedentárias estão sujeitas a desenvolver doenças cardíacas e obesidade. Observa-se, portanto, que a ociosidade está diretamente relacionada ao aumento da gordura corporal.

Ademais, a influência da publicidade sobre os modos de consumo acentua a conjuntura exposta. De acordo com Marx, em um mundo capitalizado, a busca pelo lucro ultrapassa valores éticos e morais. Nesse sentido, tem-se a promoção de produtos industrializados e nocivos à saúde do consumidor como recurso para conquistar felicidade e realização pessoal. No público infantil, o problema é ainda mais agravante, uma vez que as crianças são mais vulneráveis à publicidade. Dados da Universidade de Brasília (UnB) revelam que 72% das propagandas em veículos de comunicação induzem, especialmente o público infantil, ao consumo de alimentos que fazem mal à saúde.

É notória, portanto, a relevância do sedentarismo e da ingestão de inadequada de alimentos no combate à obesidade infantil. Na busca pela erradicação da alienação provocada pelo consumismo, torna-se imprescindível que as escolas, aliadas às famílias, advirtam os jovens sobre a importância de uma alimentação saudável; por meio de palestras, seminários e debates, espera-se que bons hábitos alimentares e a prática de exercícios físicos sejam consolidados entre as crianças e adolescentes. Somado a isto, cabe ao Governo, por intermédio dos órgãos responsáveis, a criação de um projeto de lei que regularize e fiscalize as propagandas alimentícias que circulam no país. Para que o público seja conscientizado, as indústrias deverão explanar os riscos recorrentes do consumo excessivo de seus produtos. Assim, deixaremos de ser a geração que come lixo para se tornar o futuro da nação, como explicitado por Russo e Villa-Lobos.