Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 26/06/2019
O “super-homem”, idealizado por Nietzsche, é caracterizado pela capacidade de fazer escolhas isentas dos crenças sociais. A concepção, no entanto, mostra-se distante da realidade atual. Os avanços tecnológicos dos últimos séculos determinaram não somente uma mudança dos padrões de conduta, mas também a incrementação de uma autoridade norteada pelos princípios do capitalismo. A busca pela praticidade e a influência da publicidade são fatores determinantes para a instauração de uma alimentação cada vez mais nociva. Não obstante, o quadro culmina no crescimento exacerbado da obesidade infantil, seja pelo estilo de vida sedentário, seja pela dominação midiática.
Em uma primeira instância, observa-se a importância de analisar o problema sob um viés consequencial. A eclosão da Revolução Industrial foi responsável pelo progresso tecnológico e, consequentemente, resultou em modificações do estilo de vida com redução das atividades físicas e a promoção do sedentarismo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 70% das pessoas sedentárias estão sujeitas a desenvolver doenças cardíacas e obesidade. Observa-se, portanto, que a ociosidade está diretamente relacionada ao aumento da gordura corporal. Dessa forma, a falta de incentivo à prática de esportes se constitui como um revés no que tange à redução da taxa de obesidade infantil no Brasil.
Ademais, a influência da publicidade sobre os modos de consumo acentua a conjuntura exposta. Para o sociólogo Karl Marx, em um mundo capitalizado, a busca pelo lucro ultrapassa valores éticos e morais. Nesse sentido, as grandes empresas alimentícias promovem seus produtos, que por vezes são prejudiciais ao consumidor, como precursores da felicidade e realização pessoal. No público infantil, o cenário é ainda mais preocupante. As crianças, pela falta de experiência e capacidade de julgamento, são mais vulneráveis aos apelos da publicidade. Percebe-se, então, a instalação de uma conduta prejudicial que estimula o consumo de uma alimentação ruim por parte das crianças e adolescentes. Portanto, é mister que o governo tome providências para amenizar o quadro atual. Na busca pela conscientização das crianças e adolescentes sobre educação alimentar e nutricional, urge que o Ministério da Educação e Cultura (MEC) implemente uma disciplina no ensino regular por meio de alteração das Diretrizes e Bases da Educação. Cabe aos especialistas em saúde a elaboração do currículo da matéria a fim de garantir a adoção de bons hábitos alimentares e atividade física como medidas essenciais na busca por melhores qualidade de vida. Assim, o brasileiro poderá se assemelhar ao homem nietzschiano e, com o desenvolvimento da capacidade crítica e reflexiva, realizar escolhas mais responsáveis, que irão culminar na redução dos desafios do combate à obesidade infantil.