Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 30/06/2019

Segundo o Estatuto da criança e do adolescente (ECA) toda criança tem direito à saúde e ao bem estar social. No entanto, os desafios presentes no combate à obesidade infantil impedem que essa regra constitucional seja efetivada. Dessa forma, percebe-se que esse imbróglio possui raízes amargas no Brasil, seja pela omissão da família, seja pela omissão do Poder Público quanto ao cumprimento da Constituição.

Inicialmente, é indubitável que a omissão familiar esteja entre as causas do impasse em combater a obesidade infantil. De acordo com o filósofo Émille Durkheim, o ser humano é uma tábula rasa, ou seja, vai construindo seu modo de vida a partir do diálogo familiar e do processo de socialização. Destarte, depreende-se que muitas vezes, os pais, pela falta de tempo, compram alimentos industrializados para seus filhos consumirem e as crianças não tem informação sobre a forma como se alimentar e se restringem à alimentos prejudiciais à saúde. Já que, segundo a Empresa Brasil de Comunicação, cerca de 45% das famílias, passa mais tempo trabalhando que em casa com as crianças. Dessa maneira, é inadmissível que a família não participe da instrução alimentar dos filhos.

Além disso, toma-se a omissão do Poder Público quanto ao cumprimento da Constituição como impulsionador do problema. Conforme dados do Instituto brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE), o Estado investe menos de 15% das verbas em campanhas para combater a obesidade infantil, muito menos que o necessário, pois a lei constitucional do ECA que garante o acesso à saúde não é efetivada, já que os interesses socioeconômicos de alguns setores do Estado fazem com que eles desviem verbas destinadas à saúde para benefício próprio. Sendo assim, faltam projetos que atuem como ação social, para combater o impasse entre os infantos. Em síntese, é inaceitável que o Poder Público não invista na saúde mesmo com os altos tributos pagos pela população.

Portanto, diante dos fatos supracitados, nota-se que o problema requer medidas efetivas para ser amenizado. Assim, o Ministério da Saúde deve implementar campanhas que reúnam pais e filhos, por meio de apresentações e palestras nas escolas, praças e trabalhos com materiais e discussões sobre os perigos da obesidade infantil e a importância da presença da família na alimentação. Correlacionadamente, deve aumentar os subsídios que aplica nesses projetos sociais e no cumprimento das leis do ECA, como forma de diminuir os índices de obesidade entre as crianças e oferecer consultas, tratamento e orientação por profissionais da saúde. Assim, tornar-se-á o Brasil  uma sociedade justa,igualitária e cumpridora das regras constitucionais.