Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 16/07/2019

O historiador Yuval Harari, em sua obra “Homo Deus”, faz uma reflexão a respeito das mudanças no estilo de vida contemporâneo: neste século, hábitos alimentares inadequados estão ameaçando seriamente a qualidade e a expectativa de vida dos seres humanos. Nesse contexto, surge o desafio do combate à obesidade infantil, visto que as crianças fazem parte de um grupo mais vulnerável e dependente das escolhas dos pais. Contudo, esse cenário não pode permanecer inalterado, fazendo-se necessário combater a obesidade infantil, tanto por ela acarretar em problemas de saúde como por ser um indicador de problemas sociais.

Em relação ao primeiro viés, é válido destacar que esse problema não afeta as crianças apenas durante a infância. Para elucidar essa ideia, cabe mencionar o que fala o médico Drauzio Varella: a obesidade acarreta inúmeras doenças crônicas, como: problemas de circulação, de locomoção e até ortopédicos. Ou seja, uma criança obesa terá diversos problemas a longo prazo, já que, como mostra a Organização Mundial da Saúde (OMS): 70% das crianças obesas tendem a permanecer obesas na vida adulta. Consequentemente, essas informações alertam para uma perspectiva futura em que grande parte da população será obesa e novos problemas surgirão - aumento do número de doenças crônicas e redução da expectativa de vida -, sendo imprescindível seu enfrentamento para uma vida saudável.

No que concerne ao segundo ponto, é relevante discutir o quanto a desigualdade social influencia na obesidade infantil. Para compreender esse aspecto, vale recorrer ao que diz o sociólogo Zygmunt Bauman. Consoante o teórico, o nível de desigualdade influi profundamente na dispersão e intensidade dos males. Pode-se concluir, assim, que locais com menos recursos financeiros têm uma maior tendência de sofrer com a obesidade infantil, por exemplo, alimentos de alto valor nutricional e sem a adição de conservantes, em média, têm preços mais elevados que alimentos sem valor nutricional e cultivados com agrotóxicos. Essa realidade, por sua vez, faz com que crianças se alimentem de biscoitos e produtos industrializados, alimentos com grandes quantidades de açúcar, os quais favorecem a obesidade infantil.

Em suma, é urgente pensar em uma forma de enfrentar a problemática. Para isso, a mídia - agente social que exerce grande influência nas populações - deve abordar a temática da alimentação balanceada com mais regularidade, para, ao menos incitar uma reflexão por parte dos telespectadores. Isso pode ser feito por meio da própria programação, como reportagens nos jornais, programas que tenham debates com nutricionistas e médicos, e ainda podem denunciar os usos abusivos de agrotóxicos nas plantações. Isso sendo feito, portanto, com a finalidade de reduzir a obesidade infantil.