Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 11/07/2019
O excesso de adiposidade era uma forma de se mostrar saúde e fartura durante a Idade Média, uma vez que se alimentar bem, em uma época de difícil conservação de alimentos e bastante concentração de riquezas ser acima do peso, era uma vantagem que enobrecia e embelezava o indivíduo. Contudo, na contemporaneidade, ser gordo é algo que inconscientemente remete à má alimentação e sedentarismo, e já não se torna algo atrativo às pessoas. No que tange à obesidade infantil, é evidente que a mídia sabota a educação alimentar das crianças e promove uma total inversão de valores no que diz respeito a alimentação. Ademais, os pais não são educados a melhor alimentarem seus filhos nos primeiros anos, algo que comprovadamente interfere na saúde da criança ao longo de sua vida.
A mídia é, portanto, fator fundamental na abordagem audiovisual que molda o comportamento das crianças, utilizando de artifícios para convencer. Nesse contexto, o documentário “Muito além do peso” explicita esse pensamento ao dizer que a ausência dos pais é preenchida por personagens televisivos muito persuasivos, no entanto, a criança está sendo “educada” por um publicitário altamente capacitado em sua área. Desse modo, a presença dos pais é fator determinante para que a criança não seja suscetível a manipulações e deseje os alimentos que um publicitário expõe à ela.
Além disso, os pais precisam ser informados sobre a melhor forma de promover uma alimentação saudável e combater a monotonia alimentar. Por esse ângulo, as crianças dependem do leite materno durante os primeiros anos, que deve ser complementados até os cinco anos, e esse primeiro momento é determinante para formar a saúde alimentar da criança. Nesse sentido, estudos da Project Viva demonstrou, em um corte de 1041 crianças, que um aumento excessivo do peso da criança nos 6 primeiros meses gerava um alto risco de obesidade após os 3 anos de idade.
Dado o exposto, é necessário que o Ministério da Saúde, por intermédio da mídia e centros de atendimento médico, viabilize investimentos que promova um combate à publicidade da “má alimentação” e elucide os pais brasileiros. Nessa perspectiva, o Governo deve direcionar uma porcentagem do PIB( Produto Interno Bruto) em campanhas publicitárias na internet, televisão e nos centros clínicos, que elucidem a importância da boa alimentação, trazendo informações nutricionais de forma didática e divertida para as crianças e pais. Com isso, os responsáveis pela criança poderão se informar de maneira prática e incrementar alimentação da prole de forma mais saborosa, além de instigar os jovens a quererem consumir alimentos mais saudáveis e repudiar as guloseimas. Só assim, se poderá criar uma relação contemporânea de alimentação e estética que não comprometa a saúde das crianças brasileiras.