Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 20/07/2019
“Quase nenhum de nós nos suicidados e quase todos nós nos autodestruímos”; esta é uma das frases ditas pela bióloga Lena no filme “Aniquilação”. O longa traz uma reflexão a respeito de certas atitudes humanas, que mesmo sendo altamente prejudiciais à espécie, são cotidianamente reiteradas. Paralelamente a isso, emerge o debate sobre a importância de cuidar da saúde alimentar de crianças e adolescentes, em vista da massiva introdução de alimentos industrializados e calóricos na rotina das famílias brasileiras, já, também, inseridas em um ritmo de vida acelerado e tecnológico da sociedade pós-moderna.
Nesse sentido, na Grécia Antiga, o filósofo Aristóteles declarou ser a felicidade o maior bem alcançável pelo indivíduo, contudo, esse alvo cada vez mais vem sendo desviado na tenra idade, a partir do momento que crianças passam a consumir salgadinhos, refrigerantes, bolachas recheadas colocadas em suas lancheiras. Apesar de serem atitudes inofensivas, que buscam, na maioria dos casos, agradar a meninada, são prejudiciais, visto que são guiadas pela deficiência na interpretação de tabelas nutricionais dos alimentos pelos adultos. Por exemplo, no documentário “Muito Além do Peso” é mostrado que sucos artificiais podem chegar até mais de 150 gramas de açucares em meio litro e conter somente 1% da polpa da fruta, o que pode causar diabetes nessa faixa etária.
Outrossim, embora a OMS (Organização Mundial de Saúde) tenha classificado o termo ‘saúde’ não só como um bem estar físico, mas também como um pleno equilíbrio mental e social, existe uma pedra no meio do caminho, como já diria o poeta Drummond. Isso porquê, crianças obesas estão condicionadas ao mesmo padrão de vida frenético daqueles que os rodeiam, porquanto levam uma infância reféns do sedentarismo: sem mobilidade corporal, presos à ‘TV’ e aos vídeo games.
Torna-se necessário, portanto, a veemente propagação de políticas sociais que possam orientar os pais e responsáveis a escolher melhores caminhos no cuidado alimentício de seus filhos, à medida que estes evitam condutas na infância que façam a ponte até um futuro nocivo e autodestrutivo . Para isso, cabe ao Ministério da saúde criar um guia de leitura dos rótulos nutricionais que simplifique expressões científicas usadas como “gorduras trans” e “glicose”. Além disso, acrescentar a quantidade indicada para a ingestão de cada uma e distribuí-las nas escolas, nos sites de referência para download e nas redes sociais. E, juntamente, em parceria com as maiores redes televisivas e online, para divulgar uma publicidade incentivadora da prática de atividade física e como isso pode ser efetuado, inclusive, entre os próprios familiares, por meio de passeios nos finais de semana com caminhadas e o uso de bicicletas.