Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 11/08/2019

Promulgada pela ONU, em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à saúde e ao bem-estar social. Conquanto, a obesidade infantil impossibilita que essa parcela da população desfrute desse direito universal na prática, haja vista a responsabilidade parental à alimentação dos filhos, bem como a cultura de consumo. Nessa perspectiva, esses desafios devem ser superados de imediato para que uma sociedade integrada seja alcançada.

Um importante aspecto a ser analisado em primeiro plano é o reconhecimento dos pais como responsáveis pela alimentação de seus filhos. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em parceria com o Ministério da Saúde, constatou que 40% da população brasileira está acima do peso e entre as crianças, 36,6% estão com sobrepeso. Diante do exposto, é essencial analisar a relação intrínseca de adultos e crianças com a obesidade, tendo em vista a responsabilidade parental e a participação familiar quanto à regulação na alimentação saudável e a correlação entre pais e filhos obesos. Por conseguinte, os hábitos alimentares errôneos e o não acompanhamento parental sobre os menores podem acarretar ao agravamento das enfermidades alimentícias dos jovens.

Faz-se mister, ainda salientar, o sedentarismo como impulsionador do problema. De acordo com o sociólogo polonês, Zygmunt Bauman, a falta de solidez nas relações sociais é a característica da “modernidade líquida” vivida no século XXI, transformando o convívio social em situações voláteis, assim como a busca por prazeres imediatos. Diante de tal contexto, a sociedade, marcada por essa liquidez, tende a ser mais imediatistas e corroborando com o incentivo ao consumo desenfreado, principalmente de “fast-foods”, dos jovens brasileiros. Além disso, com o desenvolvimento tecnológico atual e a volatilidade nas interações sociais, há um protagonismo dos aparelhos digitais como forma de lazer às novas gerações, acarretando ao sedentarismo em massa, como demonstrado pelos dados do PNUD, em que cerca de 70% da população infantil brasileira é sedentária.

Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver esse problema. Dessa maneira, urge que o Ministério da Saúde, em junção com o Ministério da Educação, enquanto espaço de construção de conhecimento, deve promover políticas públicas de reeducação alimentar nas escolas, por meio da realização de palestras aos pais, com profissionais da área de nutrição para enfatizar os perigos da obesidade e do sedentarismo à vida das crianças, além da criação de cardápios alternativos saudáveis nos momentos de intervalo. Ademais, cabe também ao governo, a ampliação e divulgação de projetos que visem orientar a sociedade e prevenir o avanço da epidemia de obesidade infantil. A partir dessas ações, espera-se promover uma melhora desse quadro endêmico.