Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 29/10/2019

Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra morro acima eternamente. Todos os dias, ele atingia o topo do rochedo, todavia era vencido pela exaustão, e com isso a pedra retornava à base. Atualmente, esse mito assemelha-se à luta cotidiana de parte das crianças brasileiras, que buscam ultrapassar as barreiras às quais os separam do direito à alimentação saudável. Nesse contexto, não há dúvidas de que a superação do quadro de violação de direitos à saúde é um desafio no combate à obesidade infantil, o qual ocorre, infelizmente, devido não só ao sedentarismo, mas também ao fácil acesso aos alimentos processados.

Mormente, a Constituição de 1988 garante ao cidadão brasileiro o direito à saúde e ao lazer, porém, o sistema de segurança pública não efetiva esse direito, que encontra-se deturpado no Brasil à medida que a violência urbana registra uma crescente, e com isso, além de impossibilitar parte da população infantil que não mora em condomínios com áreas de lazer de brincar na rua, dificulta a queima de calorias - segundo Estudo Internacional de Obesidade Infantil, o sobrepeso e a obesidade atingem 39% das crianças brasileiras. Desse modo, as crianças têm na tecnologia a companheira perfeita para passar o tempo ocioso, o que pode acarretar em sérios danos à saúde e aumentar o risco de sobrepeso, incompatíveis ao direito a saúde citado na Constituição.

Ademais, outro ponto relevante é o conceito de Modernidade líquida de Zygmunt Bauman, que explica a queda das atitudes éticas pela fluidez dos valores no indivíduo, a fim de atender seus interesses pessoais, aumentar o individualismo e moldar a sociedade à sua personalidade. Desse modo, o ritmo de vida moderna alavancou o consumo de alimentos processados dentro das casas brasileiras, e a criança, ao ser imerso nesse panorama líquido, acaba por não conseguir apoio da família mediante o direito à uma alimentação sadia. Diante disso, há necessidade de um trabalho de conscientização da sociedade sobre a importância do hábito alimentar saudável como melhora na qualidade de vida dos menores.

Portanto, urge a primordialidade de uma solução para tal problemática. Primeiramente, cabe ao Ministério do Esporte construir mais centros esportivos, por meio de verbas públicas, com vistas a aumentar à prática de atividade física entre as crianças, a fim de combater à obesidade infantil. Ademais, cabe a família, por meio de práticas alimentares saudáveis, conscientizar a criança sobre a importância de um hábito alimentar saudável para uma melhor qualidade de vida. Só assim, a realidade distanciar-se-á do mito grego e os sísifos brasileiros vencerão o desafio de Zeus.