Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 04/09/2019
Na atual conjuntura global, o cotidiano atribulado adjunto ao modo de produção capitalista, produz comida como mercadoria, em grande escala e com baixa qualidade. Contudo, esse cenário afeta de modo negativo a saúde pública, em especial a de crianças, já que necessitam de dietas balanceadas para se desenvolverem. Isso posto, os desafios para combater a obesidade infantil no Brasil crescem, seja pelo sistema de fabricação, seja pela desinformação e descuido familiar.
Nessa perspectiva, o processo de geração de alimentos é um fator prejudicial a juventude. Sob esse viés, de acordo com os pensadores da escola Frankfurt, a indústria alimentícia faz parte da indústria cultural, que utiliza a publicidade para produzir em massa e acumular lucro ao disponibilizar o alimento de modo acessível, visando uma homogeneização. Diante desse contexto, ao aproveitar a fácil manipulação de crianças através da mídia, uma vez que não possuem o discernimento para distinguir o que é saudável, as organizações desejam implantar um padrão alimentar sem preocupação com as necessidades essenciais que o organismo de uma criança precisa. Desse modo, o quadro de obesidade infantil se torna difícil de ser revertido, devido ao mercado padronizado, rico em uma dieta carente de saúde.
Outrossim, o desconhecimento da família sobre o que o jovem insere na sua dieta, demonstra o descuido sobre a temática. Nessa ótica, o filósofo Mostesquieu afirmava que a ignorância é a mãe das tradições, uma vez que a submete a manter padrões devido a falta de conhecimento. Isto posto, a família pode negligenciar a sua responsabilidade com a saúde da criança ao não buscar compreender o que é necessário para o seu desenvolvimento e crescimento, assim como o que ela ingere. Entretanto, os pais, muitas vezes, justificam escolhas como fast food devido a facilidade de acesso e ao seu cotidiano atarefado e, desse modo, afastam seus filhos de um cardápio saudável, com a quantidade adequada de calorias nas refeições.E, em consequência, aproximam a criança a transtornos alimentares como a bulimia e a obesidade infantil.
Logo, é necessário transcender os desafios para erradicar a obesidade infantil no Brasil. Assim, o Estado deve agir através do Ministério da Saúde, com campanhas midiátiacas de profissionais da saúde como nutricionistas e endocrinologistas, que salientem a importância de manter uma dieta balanceada, assim como as consequências negativas de não mantê-la, para suprimir a desinformação sobre o assunto. Ademais, o Ministério da Educação deve inserir a matéria de educação alimentar na grade curricular do ensino fundamental, para que as crianças aprendam sobre a relevância de cuidar o que ingerem e com isso, crescerem mais saudáveis, distante do caminho para a obesidade.