Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 24/08/2019

Realidade fantástica

Augustus Gloop, personagem infantil do filme “A Fantástica fábrica de chocolate”, metaforiza grande parte das crianças do Brasil. A obesidade do garoto funciona como ferramenta narrativa para construir um imaginário lúdico que, ao se misturar com a realidade, banaliza a importância de uma alimentação consciente. É certo que o sobrepeso dos infantes é debatido mundialmente e já gerou recomendações resolutivas da Organização Mundial da Saúde, bem como elaboração de novas diretrizes do Ministério da Saúde.Porém, combater a obesidade infantil no Brasil, ainda exige outras ações para desvincular a alimentação do âmbito imaginativo e fantástico.

Em análise primária, é necessário que se elucide as consequências da não dissociação entre o real e o imaginário. A filosofia socrática, por exemplo, aponta para a importância da consciência da realidade como exercício de autonomia. Quando uma criança não consegue desvincular a alimentação do campo quimérico, ela não tem percepção real do que ingere, o que pode desencadear um consumo exagerado, resultando, entre outras causas, em obesidade.

Já no que tange as questões resolutivas, muito já se tem feito. Se antes propagandas alimentícias eram veiculadas sem controle, hoje, graças à OMS, atenuou-se a exposição das crianças a esses anúncios. Ademais, o MinSaúde fomenta projetos que objetivam essas resoluções. Mas outra abordagem é necessária.

Sendo assim, para que as crianças se alimentem conscientemente, o MEC deve criar um projeto em que formandos de nutrição e pedagogia de universidades públicas trabalhem em equipe. Utilizando mapeamento demográfico das secretarias municipais, irão realizar visitas técnicas regulares às casas onde há crianças a fim de torná-las mais lúcidas acerca de seus hábitos alimentares, desvinculando-as do arco narrativo de Augustus Gloop.