Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 27/08/2019
O século XX foi marcado pela Terceira Revolução Industrial, momento em que a produção de alimentos cresceu significativamente. Nessa contexto, com a modernização da agricultura, houve a adoção de novos hábitos alimentares na sociedade contemporânea, o que corroborou para o surgimento de um dos principais problemas do século XXl: a obesidade infantil. Desse modo, analisa-se que a problemática é sustentada, sobretudo, pelos novos costumes e, ainda, pela falta de conscientização do corpo social.
Nessa perspectiva, é elementar que se leve em consideração o pensamento filosófico de Francis Bacon, no qual afirma que o comportamento humano é contagioso- torna-se enraizado e frequente a medida que se reproduz- o que pode ser observado no estilo de vida sedentário e consumista das crianças no país. Dessa maneira, não é de se espantar que, em 2016, um terço das crianças na faixa etária entre 5 e 9 anos tem excesso de peso, segundo dados do Ministério da Saúde (MS). Diante disso, a troca de refeições benéficas por industrializadas, aliada ao decrescente interesse e estímulo de atividades físicas, amplia o número de problemáticas relacionadas ao sobrepeso na infância.
Outrossim, é importante destacar que, quando o renomado filósofo Lev Vygotsky afirma que a escola não deve se distanciar dos aspectos da vida social de seus participantes, corrobora-se a necessidade de eixos como a prevenção da obesidade serem desenvolvidos no ensino básico. Porém, ao contrário dessa lógica, a prioridade do currículo básico brasileiro voltada frequentemente para o tecnicismo alienado agrava o problema, na medida em que, neste formato, as pessoas são facilmente manipuláveis por propagandas alimentícias que, na maioria das vezes, são responsáveis pela degradação da saúde do consumidor. Sendo assim, nota-se que, devido a manipulação e a pouca informação sobre o assunto, os responsáveis adotam esse tipo de alimentação para as crianças.
Assim, tendo em vista o grave crescimento da obesidade infantil no país, o Governo, por intermédio dos órgãos responsáveis, deve regular as propagandas alimentícias que circulam no Brasil- através da aprovação de leis que obriguem as indústrias a explicar sobre os riscos do consumo de seus produtos- a fim de conscientizar os telespectadores. Ademais, as escolas devem promover aulas menos conteudistas e mais tangíveis a realidade do aluno, por meio de rodas de debates e alertas sobre as formas de prevenção da obesidade bem como os perigos que representam ao ser humano. Isso pode ser feito convidando médicos e outros profissionais da área da saúde, que informem e debatam de maneira didática, natural e eficiente, de modo que rapidamente haja melhora de quadro indesejável.