Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 10/09/2019

O documentário “Muito além do peso” retrata sobre uma doença que atinge milhares de pessoas no século XXI: a obesidade. No longa-metragem, é perceptível vários problemas referentes à essa doença e como eles afetam essas pessoas. Não longe das telas, no Brasil, a obesidade infantil se configura como uma problemática hodierna, motivada pela falta de controle governamental sobre o marketing das empresas alimentícias e pelo descaso com hábitos educacionais que previnem tal patologia.

A princípio, é fundamental analisar as formas de controle e indução que as empresas têm acerca da alimentação das crianças. Tangente a isso, por meio das propagandas que utilizam personagens famosos, os comerciais e as embalagens dos produtos industrializados induzem as crianças a consumi-los, como a exemplo a grande indústria alimentícia “McDonald’s”. Além disso, os preços desses produtos por muitas vezes são inferiores aos dos alimentos orgânicos, fazendo-os serem mais acessíveis para a compra. Dessa forma, além de incitar as crianças, essas comidas ricas em açúcares e calorias ganham a preferência dos pais devido, sobretudo, a economia e praticidade.

Ademais, para além da indústria de consumo, é imprescindível a inserção de práticas saudáveis no cotidiano juvenil. Nesse prisma, é necessário a implementação de esportes e da educação nutricional nas escolas e no âmbito doméstico, mas também é fundamental uni-las ao lazer, as tornando práticas prazerosas para as crianças. Consequentemente, com esse incentivo diário, segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, ocorrerá uma mudança nos hábitos destrutivos à saúde e tornará as atividades físicas e a boa alimentação algo cotidiano, contribuindo, assim, para uma melhoria na condição física e nutricional dessas crianças.

Infere-se, portanto, que a obesidade infantil se configura como uma problemática brasileira, sendo importante medidas de intervenção. Por conseguinte, cabe ao Governo Federal, na figura do Poder Legislativo, definir os limites das propagandas alimentares direcionadas para o público infantil, por meio da criação de leis que multem severamente seus transgressores e que variem de acordo com o poder aquisitivo de cada empresa, assim, diminuindo a influência sobre os hábitos alimentares das crianças. Concomitantemente, urge que o Ministério da Educação e Cultura (MEC), mediante a inserção da educação física e nutricional no currículo escolar, modifiquem o estigma negativo dessas áreas e incentivem as crianças a pratica-las, dessa maneira, formando jovens menos propensos à obesidade. Com isso, contribuindo para que a realidade apresentada no documentário deixe de existir no Brasil.