Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 27/09/2019
O documentário “Muito Além do Peso”, de 2012, analisa a qualidade da alimentação de crianças brasileiras e revela hábitos alimentares danosos à saúde, praticados pelas famílias, que corroboram para o aumento da obesidade infantil. Em paralelo, dados do Ministério da Saúde atestam que 8,4% dos adolescentes brasileiros são obesos e uma a cada três crianças tem excesso de peso. Nessa perspectiva, a análise dessas informações reflete um problema de saúde grave que começa com os hábitos alimentares da família e se agrava devido ao sistema capitalista vigente.
Mormente, é válido salientar que os pais são diretamente responsáveis pela saúde dos filhos. Sob essa ótica, o médico endocrinologista Walmir Coutinho, presidente da Federação Mundial da Obesidade, diz que existem vilões invisíveis que agravam o problema do sobrepeso, a exemplo do suco de fruta artificial e do iogurte. Segundo ele, ao adquirir tais alimentos, os pais acreditam estar dando algo saudável as crianças, quando, na verdade, são refeições de alto valor calórico. Soma-se a isso o fato de que salgadinhos e bolachas recheadas costumam ser mais baratos e práticos de consumir do que frutas e verduras, o que leva muitos pais a adaptá-los à rotina corrida do dia-a-dia. Assim, o consumo de alimentos ultraprocessados e pouco saudáveis vira um hábito comum nas famílias. Outrossim, é mister salientar o excesso de publicidade ligado a esses alimentos. Os chamados “fast-foods” prometem rapidez, praticidade e um sabor irresistível, além de “fisgar” o consumidor infantil por meio de brindes como brinquedos e artigos para coleção, que estão sempre em alta nas mídias sociais e televisivas. Nesse contexto, empresas como o renomado “McDonald’s” importam-se estritamente em vender seu produto, sem se preocupar com a tabela nutricional e a saúde de seus consumidores. Assim, esse cenário retoma a ideia de modernidade líquida do sociólogo Zygmunt Bauman, no qual o corpo social tem mais interesse em ter do que ser, o que os torna o sistema capitalista um impulsionador da obesidade infantil.
Diante disso, urge que o poder público tome medidas para minimizar o problema da obesidade infantil. Nesse viés, o Ministério da Saúde em parceria com o Conselho Nacional de Autorregulação Publicitária (CONAR) deve implementar a obrigatoriedade de inclusão de informações como o alto teor de açúcar ou de sódio nas embalagens dos alimentos, além de criar um alerta a respeito disso nas propagandas publicitárias, com o objetivo de alertar os possíveis consumidores para as informações nutricionais desses produtos. Ademais, o Ministério da Educação deve criar oficinas culinárias nas escolas que ensinem as crianças a preparar refeições nutritivas e divertidas. Dessa forma, tais medidas levarão os brasileiros a caminhar no sentido de superar a obesidade infantil.