Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 16/10/2019
A série “Insatiable”, da Netflix, conta a história de uma jovem com sobrepeso que após sofrer um acidente e permanecer seis meses em coma, acorda magra devido a um intenso tratamento hospitalar, porém sua insaciável vontade de comer produtos industrializados permanece trazendo sérios danos à sua saúde. Fora da ficção, a realidade brasileira não é tão diferente, pois a obesidade infantil, lamentavelmente, tem atingido níveis alarmantes. Nesse aspecto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da falta de orientação familiar e da omissão por parte do governo.
Primeiramente, é preciso destacar a importância da família no tangente à educação alimentar do jovem - referente à alfabetização do paladar. Nessa esteira, muitas crianças não recebem a devida orientação sobre uma alimentação saudável e acabam por consumir de forma exagerada produtos industrializados sem a garantia de trazer algum benefício ao organismo. Nesse sentido, a máxima do filósofo Émile Durkheim tem grande relevância, pois segundo ele, o ser humano não cria comportamentos e vícios, apenas absorve e replica a prática dos outros ao seu redor. Com base nisso, vê-se que a criança é, primordialmente, fruto do local em que vive e, por isso, os pais são os principais responsáveis pela introdução desse conceito em seus filhos. Com isso, infelizmente, um adolescente que mora em um lar sem a devida noção de uma boa alimentação, tende a se tornar um indivíduo obeso e, com isso, desenvolver graves problemas de saúde.
Além disso, é importante pontuar que os altos níveis de obesidade infantil derivam, ainda, da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que atenuem tal problema. Nessa lógica, de acordo com dados do site da BBC, até 2025 o Brasil tende a ter cerca de 11,3 milhões de crianças acima do peso, o que caracteriza um grave problema para o país, bem como para a saúde pública, uma vez que o governo terá que aumentar os gastos nessa área em detrimento de outras. Dessa forma, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Destarte, para que os jovens tenham uma melhor orientação alimentar capaz de afastar os problemas advindos da obesidade, é fundamental que o Estado intervenha. Nessa conjuntura, a fim de conscientizar crianças e seus responsáveis, urge que o Ministério da educação, por meio de impostos arrecadados, financie a realização de um projeto pedagógico nas escolas, com palestras e reuniões, que contem com a participação de pais e alunos. Dessa forma, o intuito desse projeto é justamente orientar os familiares sobre os riscos do sobrepeso em seus filhos, além de influencia-los a tomar medidas mais saudáveis que com o tempo venha a refletir na sociedade como um todo.