Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 19/10/2019
No filme “Tá chovendo hambúrguer”, um cientista fabrica uma máquina que transforma água em comida. No entanto, a celebre invenção contribui para o excesso alimentar da população, o que resulta no crescente número de pessoas obesas. Não distante da ficção, os hábitos alimentares influenciam na saúde dos indivíduos, conjuntura observada na demasia de peso durante a tenra idade. Dessa forma, a negligência da família, em consonância com a publicidade infantil, são desafios do combate à obesidade na infância.
Em primeiro lugar, é importante destacar que, em função da omissão dos pais, as crianças crescem com uma alimentação desregulada, consequência da inércia familiar em intervir nas práticas alimentares dos mais novos. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, as relações interpessoais estão cada vez mais fluídas, inclusive as familiares, já que os pais estão afastados do cotidiano dos filhos. Assim, quando os responsáveis saem para trabalhar e se ausentam da rotina dos menores, esses pequenos sem a devida supervisão alimentar passam a consumir produtos prontos e com alto teor calorífico, procedendo, então, a obesidade, além de prematuros problemas de saúde, tais como a diabetes e o colesterol alto.
Por conseguinte, percebe-se que a publicidade infantil atua de modo persuasivo para que as crianças consumam alimentos desequilibrados. Segundo o sociólogo Adorno, a indústria cultural oferece produtos que promovam uma satisfação compensatória e efêmera aos indivíduos. Em suma, as propagandas direcionadas às crianças buscam induzir os menores ao consumo de seus gêneros alimentícios, a exemplo de empresas como o McDonald’s, que presenteia com brindes os menores que consumirem o “Mc lanche feliz”, e, ademais, já que esse consiste em um público facilmente atingível, ocasiona-se, destarte, os maus hábitos alimentares na infância.
Infere-se, portanto, que o Estado tome providências para amenizar esse quadro. Logo, urge que o Poder Público em parceria com o Ministério da Saúde crie, por intermédio de verbas governamentais, políticas públicas que informem os indivíduos sobre os perigos dos alimentos desequilibrados, como também restrinjam a circulação de propagandas para crianças, posto que essas induzem os menores ao consumo de tais produtos. Espera-se, com isso, que a família participe ativamente da construção de bons hábitos alimentares das crianças, bem como o governo controle a publicidade direcionada ao público infantil, de tal maneira que os menores não mais sejam manipulados e cresçam se alimentando de modo saudável. Somente assim, os desafios da obesidade infantil serão enfrentados, divergindo-se de “Tá chovendo hambúrguer”.