Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 25/10/2019
Os anos de Ditadura Militar no Brasil caracterizaram-se pelo agravamento da pobreza e das desigualdades, gerando um povo desnutrido e silenciado sob o manto do ufanismo. Em antítese às adversidades vividas no passado, o país sustentou a cultura da alimentação excessiva para a construção de uma vida saudável, acarretando hábitos alimentares precários e consequentemente, uma nova geração obesa e enferma.
Segundo o Ministério da Saúde, uma em cada três crianças de 5 a 9 anos está acima do peso, tornando-se mais propensas à sofrerem de malefícios como a diabetes e o câncer. De acordo com a historiografia, nota-se que durante o período Pós-Guerra, países como a Holanda sofreram uma transição nutricional, classificada como uma rápida mudança de hábitos alimentar devido às melhores condições econômicos, convertendo os casos de desnutrição para agravantes quadros de obesidade. Semelhante à situação brasileira, a transição deve-se pela urbanização, desenvolvimento financeiro e difusão de transnacionais, facilitando o acesso aos fast-foods e alimentos industrializados.
Outro aspecto relevante, nessa temática, é a diminuição da mobilidade física e a virtualização das relações pessoais, levando crianças a substituírem brincadeiras ao ar livre por videogames e jogos on-line. Ademais, vale ressaltar que a inserção infantil nos meios cibernéticos, facilita seu acesso à propagandas ilusórias advindas de empresas alimentícias que utilizam-se de animações e personagens da cultura popular para atrair o público pueril à obtenção de seus produtos, desprezando valores nutricionais e buscando a fidelidade de consumidores desde sua menoridade.
Em síntese, compreende-se que para a redução segura à obesidade infantil, necessita-se que órgãos como o Ministério da Educação (MEC) e Ministério da Saúde (MS) se unam em prol dos pequenos cidadãos por meio do encaminhamento de parte de sua renda para uma melhor educação alimentar nas escolas e dessa forma, substituir as merendas escolares por alimentos naturais, evitando congelados e fast-foods. É mister que órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e o Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (CONAR) regulem propagandas de alimentos para que essas passem a advertir as consequências de seu excesso, além de incentivar a fabricação de produtos salutíferos, visando a elaboração de uma dieta saudável e eficaz.