Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 21/10/2019

Sob o ponto de vista da evolução anatômica, o corpo humano desenvolveu-se em virtude de otimizar o movimento, pois em sua fase nômade o homem precisava caçar e migrar constantemente. No entanto, do período da sedentarização até a era da imobilidade, influenciada pelo uso exacerbado da tecnologia, o ato de movimentar-se perdeu o protagonismo nas práticas humanas e favoreceu patologias. Nessa perspectiva, a cultura do sedentarismo e os maus hábitos alimentares constituem os principais desafios no combate à obesidade infantil.

Em primeira instância, a ausência  da prática regular de atividade física na já na infância advém tanto  da falta de incentivo familiar e pedagógico, quanto da influência da tecnologia. Em análise, é pertinente pontuar um documentário acerca do sobrepeso, veiculado pelo programa Fantástico em 2018, o qual expõe a tendência de aumento do índice de obesidade, em função da ampliação do acesso aos aparelhos eletrônicos pela população; além de destacar o fato das crianças os utilizarem, imóveis,  por longos períodos de tempo, em detrimento dos exercícios. Dessa feita, a não intervenção dos pais e das escolas nessa condição nociva à saúde é inaceitável, pois resulta em vários malefícios, uma vez que o gasto energético pelo movimento é indispensável para evitar o acúmulo de gordura.

Sob esse viés, soma-se à problemática a cultura da ingestão de alimentos ultraprocessados e a dieta pouco saudável, característica da maioria dos brasileiros; fatores que podem desencadear inúmeras doenças. No tocante a isso, o médico e escritor brasileiro Dráuzio Varella afirma, ao discutir o caso em seu canal, a importância da transmissão da boa educação alimentar, dos pais para os filhos, e ressalta a importância da pedagogia nessa construção, a qual combate não só quadros de obesidade, mas também a hipertensão e o diabetes. Dito isso, é mister ratificar o quão inadmissível é a negligência ao controle da nutrição infantil, pois as consequências dos maus hábitos acarretam não só danos às crianças, mas também a todo o sistema de saúde.

Infere-se, portanto, a necessidade de mitigar os principais entraves na luta contra o sobrepeso infantil, no que tange ao sedentarismo e à má alimentação. Urge, para isso, o aprimoramento do currículo obrigatório em todos os níveis da formação, que trate da utilização correta da tecnologia, da nutrição adequada e da inserção nas praticas de exercícios, ao elucidar alunos e responsáveis. Destarte, cabe ao Governo Federal associar-se aos Ministérios da Saúde e Educação para viabilizar o projeto, o qual ocorrerá por meio de palestras, aulas e atividades presenciais em conjunto com profissionais das duas esferas de ensino. Desse modo, as práticas nocivas à homeostase serão atenuadas e, aos poucos, a obesidade infantil deixará de assolar parcelas tão grandes da população.