Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 20/10/2019

Desde os primórdios, consecutivas mudanças nos hábitos alimentares das sociedades humanas foram observadas, como a presença cada vez maior de alimentos processados na dieta dos indivíduos a partir do advento da Revolução Industrial, no século XVIII. Nesse sentido, no que tange à questão do combate à obesidade infantil, percebe-se a configuração de um grave problema, em virtude da lacuna educacional e da má influência familiar. Diante disso, é preciso conhecer os diversos estigmas desse dilema, na propensão de solucioná-lo.

Em uma primeira análise, a persistência da problemática é intrinsecamente fomentada pela lacuna educacional. Com déficit escolar em prover aulas acerca dos maus hábitos alimentares e suas consequências para a pessoas, as crianças tendem a se manterem desinformadas e ausentes de seus papéis em suas próprias alimentações, o que corrobora com a pesquisa divulgada pela Organização Mundial da Saúde. Segundo ela, um terço das crianças que têm entre nove e cinco anos estão obesas, demonstrando a calamidade da situação. Nessa perspectiva, se - segundo Kant - o homem é aquilo que a educação faz dele, salienta-se que a omissão das escolas origina diversas mazelas sociais, tais quais o aumento do número de obesos na sociedade e o consequente risco de doenças atreladas a essa condição que, por conseguinte, elevam os gastos públicos com saúde.

Ademais, em um segundo plano, a influência familiar ruim é um mecanismo intenso desse impasse. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, as visões sociais são determinadas por agentes, tais como a família. Assim, com a prática frequente de comer em fast-foods e a presença de alimentos saudáveis diminuindo na mesa, muitos pais acabam a inspirar seus filhos, inconscientemente, a copiarem seus costumes alimentares, o que finda na formação de adultos enfermos que repetem o ciclo com seus filhos, dando origem a uma situação alarmante em relação ao número de indivíduos obesos. Dessa forma, o quadro da má influência familiar se configura como um importante desafio para o combate à obesidade.

Portanto, a lacuna educacional e a má influência familiar são importantes vetores da problemática. Destarte, faz-se necessário que o Estado, através do Ministério da Educação, promova a realização de aulas acerca dos bons hábitos alimentares nas escolas. Por meio da contratação de nutricionistas e de mudanças no projeto pedagógico das aulas infantis, palestras desses profissionais devem se tornar corriqueiras na vida estudantil das crianças, sendo possível, dessa maneira, atenuar a obesidade infantil no país. Agindo assim, a construção de uma sociedade saudável tornar-se-á uma realidade empírica, não um ideal ou uma utopia.