Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 25/10/2019
Na obra do sociólogo Zygmunt Bauman “modernidade líquida” o conceito central do autor relata o momento histórico que vivemos atualmente, em que as instituições, as ideias e as relações estabelecidas entre as pessoas se transformam de maneira muito rápida e imprevisível, para se aliar a esse ritmo da sociedade contemporânea, a alimentação foi se negligenciando e a obesidade tornou-se um sério problema, afetando principalmente as crianças que através da má alimentação e do sedentarismo não possuem uma elevada qualidade de vida, que se ocasiona em doenças precoces. Além disso as mudanças sociais e econômicas trazidas pelo capitalismo globalizado, incentivam as crianças através das propagandas a ingestão de alimentos como fast-food e alimentos industrializados.
Segundo a organização mundial da saúde (OMS) estima-se que 41 milhões de pequenos com menos de 5 anos estejam acima do peso, número que engloba tanto países desenvolvidos quanto os que estão em desenvolvimento. A má alimentação e a obesidade infantil se apresenta como fator que potencializa as doenças, como pressão alta, diabetes, doenças cardíacas precoces e hipertensão. Ademais o uso excessivo da tecnologia, impede com que as crianças demonstrem as capacidades físicas e motoras básicas, como correr, e esse fato está relacionado com a ausência de exercícios, que resulta no sedentarismo.
Conforme o filósofo Karl Marx em um mundo capitalizado a busca pelo lucro ultrapassa valores éticos e morais, o que caracteriza o aumento da obesidade infantil relacionada com o marketing. No Brasil, o estudo de Fischer (2005) avaliou a veiculação de propagandas durante a programação matutina, vespertina e noturna de três canais abertos, durante 30 dias. Nesse período, das 840 propagandas de alimentos veiculadas, 47,3% pertenciam ao grupo dos açúcares e doces, seguido por óleos e gorduras (19,3%), pães, cereais, raízes e tubérculos (7,9%), leite e derivados (7,3%) e carnes (1,8%). Grande parte era direcionada ao público infantil. Outrossim, não foram registrados anúncios de frutas e vegetais.
Portanto, convém ao governo juntamente com os órgãos públicos, como o ministério da educação promover palestras por intermédio de profissionais capacitados como nutricionistas e médicos para que dessa maneira motivem os jovens para a conscientização da importância de uma alimentação saudável e a prática de exercícios físicos, a fim de estimular o espírito crítico nos alunos e incentivar um modelo de vida mais saudável. Também cabe ao Conselho nacional de autorregulação publicitária (CONAR) a regulação das propagandas alimentícias, na aprovação de leis que obriguem as indústrias a certificar a sociedade dos riscos que resultam o consumo excessivo desses produtos.