Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 25/10/2019
Numa sociedade vetusta, com os desdobramentos da Segunda Guerra Mundial (SGM), a inserção das mulheres no mercado de trabalho e a diminuição do tempo voltado às atividades domésticas impactaram, negativamente, os hábitos alimentares de muitas crianças. Nesse contexto, o sobrepeso advindo do consumo de alimentos processados se intensificou pois, além do baixo custo, eram mais rápidos e fáceis de preparar. Persistindo atemporalmente, na atual conjuntura brasileira, a obesidade infantil ainda é um problema social e assemelha-se ao mencionado cenário do século XX. Logo, entre os fatores que contribuem para solidificar esse quadro, destacam-se a influência da publicidade infantil nos hábitos alimentares, bem como o estilo de vida sedentário.
Em primeira análise, é evidente a contribuição dos informes publicitários na construção de uma alimentação hipercalórica e baseada em “fast foods”. De maneira análoga ao exposto, o documentário “Muito Além do Peso”, dirigido por Estela Renner, questiona os péssimo hábitos alimentares das crianças e busca chamar atenção para as indústrias de alimentos que abusam de propagandas voltadas ao público infantil, a fim de vender os produtos e, infelizmente, gerar uma compulsão por práticas danosas à saúde. Nesse contexto, assim como na SGM e o ritmo de vida mais acelerado, a obesidade infantil, influenciada da mídia, aumenta com a busca por uma dieta mais prática e rápida.
Concomitantemente, a ausência de práticas esportivas aliadas ao sedentarismo são fatores que contribuem para o aumento do sobrepeso infanto na nação tupiniquim. Sob tal ótica, o filme “Wall-e”, produzido pela Disney, retrata um universo distópico em que seres humanos estão a bordo de uma estação espacial e, acomodados com o auxílio das máquinas, são incapazes de se levantar sozinhos ou praticar qualquer atividade física. Semelhante ao ambiente ficcional, diversas crianças possuem rotinas esportivas deficitárias e alimentação inadequada. Nesse viés, a inércia quanto ao estilo de vida saudável proporciona, diversas vezes, um cenário oportuno à adiposidade excessiva nos menores.
Destarte, frente a provectos fatores publicitários e estilo de vida sedentário, a obesidade infantil exposta em “Muito Além do Peso” é presenciada no Brasil. Portanto, o Ministério da Educação, como instância máxima dos aspectos educativos brasileiros, deve adotar estratégias no tocante à influência da mídia na adoção de dietas desregradas, a fim de reduzir os altos índices de obesidade e hábitos sedentários. Essa ação pode ser feita por meio de campanhas informativas que elucidem a população sobre os benefícios de um estilo de vida saudável e os perigos de estar acima do peso ideal. Além de ampliar as academias públicas e facilitar o contato do corpo social à nutricionistas em postos e hospitais comunitários. Quiçá, a obesidade será minimizada e o cenário de “Wall-e” desvinculado da realidade.