Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 01/11/2019
O “super-homem”, idealizado por Nietzsche, é caracterizado pela capacidade de fazer escolhas sem a influência do senso comum. A concepção, no entanto, mostra-se distante da realidade atual. Os avanços tecnológicos dos últimos séculos ocasionaram não somente uma mudança dos padrões de consumo, mas também a orientação de condutas norteadas pelos princípios do capitalismo. Observa-se, então, que a busca pela praticidade e a influência das propagandas determinam a instauração de uma alimentação cada vez mais nociva. Assim, o quadro culmina no crescimento exacerbado da obesidade infantil, seja pelo estilo de vida sedentário, seja pela dominação midiática.
Em primeiro lugar, observa-se a importância de analisar o problema sob um viés consequencial. Sob essa perspectiva, ressalta-se que a eclosão da Revolução Industrial trouxe avanços científicos que resultaram em modificações do estilo de vida. Dessa forma, a comodidade impulsionada pela tecnologia provocou a redução das atividades físicas e a promoção do sedentarismo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 70% das pessoas sedentárias estão sujeitas a desenvolver doenças cardíacas e obesidade. Isto posto, infere-se que a falta de incentivo à prática de esportes se constitui como um revés no que tange à redução da taxa de obesidade infantil no Brasil.
Outrossim, a influência da publicidade sobre os modos de consumo acentua a conjuntura exposta. Para Marx, em um mundo capitalizado, a busca pelo lucro ultrapassa valores éticos e morais. Nesse sentido, as empresas promovem seus produtos, prejudiciais ao consumidor, como precursores da realização pessoal. A comida torna-se, então, objeto da lógica consumista que concebe o produto como fonte da felicidade. Ressalta-se, ainda, que no público infantil, o cenário é ainda mais preocupante, já que esse, pela falta de experiência e capacidade de julgamento, é mais vulnerável aos apelos da publicidade. Assim, há a promoção de condutas que estimulam o consumo de uma alimentação ruim. Portanto, é mister que o governo tome providências para amenizar o quadro atual. Na busca pelo abandono do sedentarismo, urge que o Ministério da Educação incentive a adoção de práticas esportivas, por meio da criação de um programa a ser desenvolvido na rede pública e privada. A medida deverá contemplar a realização de palestras com profissionais da saúde, a fim de conscientizar os pais sobre a importância dos hábitos alimentares na obtenção de uma boa qualidade de vida. Ademais, cabe ao Poder Legislativo atenuar os efeitos da publicidade, por meio da aprovação de um projeto de lei que institua a obrigatoriedade de informações sobre danos a saúde nos rótulos de alimentos e bebidas. Dessarte, o brasileiro poderá se assemelhar ao homem nietzschiano e fazer escolhas mais responsáveis, que irão culminar na redução da obesidade infantil.