Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 24/02/2020

“My Mad Fat Diary” é uma série britânica que relata a história de Rae, uma adolescente com distúrbios mentais derivados de sua aparência, especificamente de seu peso corporal. Ao decorrer dos episódios, é perceptível que ela teve obesidade infantil, que se manteve em sua adolescência e provavelmente continuará em sua vida adulta. Fora da ficção, o número de crianças acima do peso é alarmante e, muitas vezes, como na série, os pequenos manterão o excesso de peso ao longo de sua vida. Dessa maneira, em uma geração adepta aos alimentos pouco nutritivos e à novas tecnologias, os hábitos alimentares saudáveis e prática de exercícios físicos na infância devem  estar em pauta.

Em primeiro lugar, é necessário destacar que a busca pelo corpo ideal não é uma prática atual.Na Grécia Antiga, por exemplo,o culto ao corpo magro e esculpido pela prática de exercícios físicos era comum. No entanto, ao decorrer dos anos e com avanço tecnológico, o confortável ganhou mais espaço e o hábito de exercitar-se foi deixado de lado pela população, incluso as crianças. Elas, se adaptaram rapidamente à essas inovações, como as telas de computadores, televisões e videogames. Segundo uma pesquisa, com 36 mil crianças e adolescentes, realizada pelo CAPES: 20% delas ficam 6 horas ou mais em frente à essas telas e 90% comem petiscos nesse período. Isso associado a falta de incentivo à prática de esportes por saúde, trouxe, por consequência, um aumento na obesidade infantil.

Em segundo lugar, é válido ressaltar que a alimentação tem papel fundamental na nutrição do indivíduo e não apenas em seu peso corporal. Dessa forma, é importante salientar que os responsáveis pela criança devem estar atentos ao que a criança “come” desde a barriga da mãe. Pois, de acordo com o médico Drauzio Varella, gestantes que cuidam da alimentação, durante a gravidez, correm riscos 80% menores de ter filhos obesos. Tal cuidado, deve se prolongar após o nascimento da criança, que deve ser introduzida a hábitos alimentares saudáveis, com reduzida quantidade de alimentos ultraprocessados, como salgadinhos, ou alimentos com grande quantidade de açúcar, como achocolatados, doces e os famosos refrigerantes. Estes, são os grandes “vilões” da obesidade infantil.

Com o intuito de amenizar esse problema, é míster que o Estado tome providências. Para a conscientização da população brasileira, urge que o Ministério da Educação e Cultura (MEC) em parceira com o Ministério da Saúde(MS) crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nas redes sociais que darão informações sobre a obesidade infantil, seus riscos à saúde e, orientando o acompanhamento de um profissional . Somente assim, será possível combater o excesso de peso infantil e, ademais, inserir hábitos alimentares saudáveis e prática de exercícios físicos na rotina dos pequenos. Assim, a história de Rae não será a realidade de muitas crianças e adolescentes.