Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 26/05/2020

Em 439-429 antes de Cristo, Hipócrates estudava o equilíbrio entre o consumo de alimentos e observou que pessoas obesas morriam mais cedo. Nesse contexto, os malefícios dessa doença são conhecidos desde o século V, entretanto, a permanência dessa problemática reitera a importância do combate à obesidade infantil e seus principais fatores: a ausência familiar e a negligência do Estado.

Precipuamente, é válido ressaltar que, com a modernidade, os vínculos coletivos ficaram fragilizados, isto é, a economia passou a exercer grande influência na vida dos cidadãos. Sendo assim, o individualismo, presente no contexto familiar, contribui para que a negligência da família seja um fator determinante para os obstáculos do combate à obesidade em crianças. Segundo o filósofo Zygmunt Bauman, pensador da modernidade líquida, as relações afetivas ocorrem de maneira superficial e, aos poucos, transforma a coletividade no individual e o cidadão em consumidor. Em consonância a esse fato, pode-se analisar que, as conexões volúveis entre os familiares, contribuem para o aumento da problemática e comprometem a formação das faculdades psíquicas, físicas e sociais do pueril.

Além disso, conforme o Artigo 196 da Constituição Federal, a saúde é um direito de todos e dever do Estado, todavia, a exiguidade estatal rompe com esse decreto-lei, pois é omisso no que diz respeito aos meios eficientes para combater a doença - classificada como multifatorial, em que fatores genéticos, metabólicos, sociais, psicológicos e ambientais estão envolvidos. Somado a isso, infere-se, também, a ausência de fiscalização estatal no marketing das empresas alimentícias, que utilizam estratégias de persuasão, em prol do consumo de alimentos rápidos e de baixo valor nutricional. Logo, medidas de intervenção, em relação ao combate à obesidade infantil tornam-se necessárias.

Destarte, algumas das soluções cabíveis ao tema proposto são campanhas adotadas pela Sociedade Brasileira de Pediatria - considerada a maior sociedade médica de especialidade do Brasil e uma das maiores entidades pediátricas do mundo - por meio de palestras em escolas, com a participação da família, com o intuito de alertar sobre os riscos da obesidade em crianças e adolescentes. Outrossim, cabe à Controladoria Geral da União, a fiscalização nos gastos públicos, por meio de reuniões, com teor orçamentário, a fim de garantir um redirecionamento nesses investimentos e direcioná-los para a área da saúde pública brasileira. Portanto, assim poder-se-á confirmar os estudos de Hipócrates, o pai da medicina, amenizar os impactos da modernidade líquida proposta por Bauman e, por fim, efetivar a Carta Magna.