Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 19/05/2020

O filme “Wall-e” retrata um futuro distópico, no qual, entre outros problemas, os seres humanos estão todos obesos. Apesar de ser uma animação, a obra não está distante da realidade, haja vista o aumento no número de crianças obesas no Brasil e no mundo. Tal distúrbio tem raízes em características do genoma humano, somadas a hábitos de praticidade alimentar e, ainda, ao atual estilo de vida sedentário. Como consequência, há complicações aos infantes acometidos, bem como aos sistemas de saúde.

Em primeiro plano, cabe elucidar acerca das causas do aumento da obesidade infantil. Desse modo, de acordo com o livro “Sapiens: Uma Breve História da Humanidade”, a Pré-história concedeu o “gene guloso” ao homo sapiens. Com isso, há tendência, desde a infância, a uma alimentação abundante e rica em calorias, apesar de não mais ser fisiologicamente necessário. Além disso, a atual necessidade de otimização do tempo leva a refeições rápidas - porém, hipercalóricas - os “fast foods”. Por fim, outro aspecto da vida contemporânea também tem relevância no quadro em questão: o sedentarismo crônico. Assim, a união da “genética gulosa” à oferta de alimentos calóricos e ao baixo gasto energético resulta no crescimento do sobrepeso infantil.

De modo conseguinte, a obesidade na infância gera crianças - e futuros adultos - com diversas comorbidades, as quais diminuem a qualidade de vida dos indivíduos e implicam em sobrecarga dos sistemas de saúde. Destarte, conforme divulgado por médicos, como o nutrólogo brasileiro Lair Ribeiro, altos índices de gordura corporal, comumente, combinam-se com diabetes, problemas cardíacos, baixa autoestima, entre outros acometimentos. Além dos malefícios à vida dos infantes obesos, a conjuntura descrita acarreta, também,  prejuízos aos sistemas de saúde, sobretudo os públicos - os mais sucateados. Nessa lógica, levando em conta o caráter crônico das doenças mencionadas, a obesidade leva a dependência de tratamentos, e,  assim, com uma grande quantidade de obesos, sobrecarrega instituições de saúde.

É perceptível, então, que urge mitigar a obesidade na infância. Portanto, no Brasil, cabe ao Ministério da Saúde promover um programa de combate ao sobrepeso infantil. Para tanto, tal órgão governamental pode contratar nutricionistas e profissionais da educação física para atuarem nas Unidades Básicas de Saúde, bem como nas escolas. Esses especialistas, trabalhando em parceria, realizariam um processo de reeducação alimentar e física de crianças e de suas famílias, por meio de palestras, aulas de culinária saudável e incentivo a atividades físicas. Com a aplicação dessas medidas, a visão do filme mencionado será apenas ficção.