Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 03/06/2020
O filme norte-americano “Matilda” aborda importantes personagens infantis acometidos pela obesidade devido, sobremodo, ao consumo de produtos industrializados. Para além da cinematografia, a análise dos desafios no combate à obesidade infantil é de importância basilar para o desenvolvimento integral dos infantes. Por conseguinte, a persistência da problemática reverbera e prejuízos ao coletivo e, decerto, demanda intervenções. Nesse ínterim, é fulcral elucubrar os comportamentos alimentares na pós-modernidade, bem como a influência midiática frente à obesidade infantil.
Em primeiro lugar, têm-se os hábitos de consumo hodiernos prejudiciais à saúde. Nesse viés, observa-se que, a partir da segunda guerra mundial, a indústria alimentícia tornou-se o foco da economia ocidental, mediante a produção de alimentos ultra-processados destinados às crianças. Com efeito, segundo o Conselho Regional de Nutrição, o comportamento infantil passou a ser determinado por preferências alimentares, porquanto as crianças tendem a ingerir apenas o que gostam entre os alimentos disponíveis no ambiente. Dessa feita, a inabilidade educacional no círculo doméstico desestimula à incorporação de novos componentes à dieta alimentar em razão, sobretudo, da omissão familiar diante do contato precoce com os alimentos industrializados.
Outrossim, nota-se a influência midiática. Diante disso, o documentário “Muito além do peso” , de Maria Farinha, destaca a persistência de uma publicidade infantil abusiva, aliada ao forte apelo consumista pelas lojas de “fast-food”. Isso posto, pode-se relacionar à conjuntura, a ausência do Poder Governamental em produzir meios de comunicação os quais estruturem hábitos saudáveis aos infantes, por intermédio da supressão do marketing imoderado de tais empresas. Desse modo, é imperioso evitar a publicidade concernente à oferta de recompensas- como brinquedos e brindes- em troca do consumo de alimentos prejudiciais à saúde do público infantil.
Dessarte, reafirmam-se os prejuízos sociais ocasionados pela persistência da obesidade infantil no Brasil. Logo, cabe às Secretarias Municipais desenvolverem encontros pedagógicos com os pais nas escolas sobre a educação alimentar, por meio de semanas de extensão, nos quais nutricionistas abordem sobre os impactos negativos da obesidade, no intuito de reduzir a omissão familiar nesses casos. Ademais, o Governo Federal deve elaborar medidas de contenção à publicidade sobre alimentos industrializados destinados às crianças, mediante a parceria com empresas privadas, as quais substituem propagandas de lanches ultra-processados pela exposição de alimentos orgânicos, afim de evitar a influência midiática. Assim, a obesidade infantil tornar-se-á restrita ao âmbito cinematográfico.