Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 05/07/2020
Em meio a uma realidade catastrófica, o sentimento de esperança torna-se essencial para o processo de superação. Essa é a mensagem da obra “Guernica” do pintor Pablo Picasso, expressada, de forma metafórica, a partir de um candeeiro que ilumina um cenário de obscura destruição. É válido estabelecer uma analogia entre essa visão otimista e a obesidade infantil, uma vez que diante deste impasse, acreditar em sua resolução pode “iluminar” a busca por soluções. Por esse viés, é imprescindível analisar essa questão no Brasil.
De antemão, vê-se que o Poder Público se mostra negligente ao não conscientizar as instituições de ensino acerca da importância de se manter uma alimentação saudável nas cantinas escolares. Isso porque um pai pode ter interesse de manter uma nutrição sadia. Contudo, entender que as lanchonetes escolares oferecem lanches com altos índices de gorduras apresenta-se como elemento de inibição. Esse cenário pode ser explicado por Sigmund Freud, pois, segundo sua teoria psicanalítica, um indivíduo sofre constantes conflitos entre os impulsos inconscientes (Id) e a compreensão das limitações sociais (Superego).
Ademais, enfatiza-se que há uma certa resignação social perante a obesidade infantil. Como prova disso, percebe-se a inércia de parte da população diante da ausência de investimento financeiro estatal, visto que faltam verbas para a qualificação de professores de educação física para tornar as aulas mais atrativas para os alunos, já que com a falta de estimulo as crianças podem desenvolver o sedentarismo, prejudicando, assim, o direito à saúde. Considerando os estudos da filósofa Hannah Arendt para explicar essa naturalização, nota-se que a massificação social promove a alienação dos indivíduos, comprometendo, dessa forma, o senso crítico destes.
Constata-se, finalmente, que a obesidade infantil deve ser solucionada. Logo, é importante exigir do Estado, mediante debates em audiências públicas, a conscientização, priorizando palestras educativas com nutricionais, objetivando, com isso, minimizar as vendas de alimentos com alto índice de gorduras nas cantinas escolares. Além disso, é fundamental sensibilizar a população, via organizações não governamentais, a fim de que essa problemática não haja banalizada, o que pode ser potencializado por intermédio do Ministério da Educação, através do investimento financeiro em cursos de especialização para os profissionais de educação física, com o objetivo de tornar as aulas mais atrativas aos alunos e diminuir o índice de sedentarismo no âmbito infantil e, como consequência, assegurar o direito à saúde dessas crianças. Desse modo, assim como no quadro “Guernica”, seria possível “iluminar” o processo de resolução desse impasse.