Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 09/07/2020

“Eu queria ter um dia só pra comer porcaria […] se eu ficar gordo, muito gordo, tudo certo, tudo bem, tanto faz. Eu quero é mais". Esse trecho da canção “Eu quero é mais” da dupla brasileira Sandy e Júnior, evidencia o pensamento de toda criança: comer o que gosta. Embora a cultura ao consumo de fast-food no Brasil tenha se popularizado, os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram uma situação preocupante quanto à obesidade em crianças, tornando necessária uma criação de políticas de prevenção contra os desvios alimentares,bem como, é necessário o apoio das entidades formadoras de opinião para que se garanta  conhecimento quanto aos riscos de uma alimentação ruim.

Os dados do IBGE mostram que uma em cada três criança, entre 5 e 10 anos, encontra-se acima do peso, no qual, aproximadamente 16,33% apresenta o sobrepeso, sendo 9,38% com algum grau de obesidade. Tendo em vista que a obesidade infantil é mais presente na classe C, o governo federal por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), oferece alimentação e programas alimentares com nutricionistas nas escolas públicas do país, em que cada criança custa entre R$ 0,53 e  R$ 1,07, o que não proporciona nem uma refeição com os vegetais e nutrientes básicos. Nota-se que, com a negligência e imprudência estatal, há mais uma violação ao texto do artigo 6 da Constituição Federal, uma vez que,  traz a alimentação como um direito social.

Ademais, a cultura do que “quem come mais, come melhor” é assídua desde os séculos passados, onde, ser gordo era uma questão de orgulho e mostrava que a família era de posses. As crianças sofrem diariamente, tanto pela saúde alimentar e física, quanto à saúde mental, tendo em vista que são os maiores alvos de bullying nas escolas e nas próprias famílias. Em consequência disso, estão desenvolvendo cada vez mais rápido doenças como a hipertensão, anemia e diabetes, algumas tão novas mas já usuárias de drogas como a insulina. Observa-se que existe uma falta de interesse da mídia de ofertar informações sobre à obesidade infantil e suas patologias, pois seus maiores patrocinadores são as indústrias alimentícias e redes de fast-food nacional e internacional.

Em face ao exposto, é necessário que o Ministério da Saúde e o Ministério da Educação se unam aos estados e municípios, afastando o não cumprimento ao direito constitucional da alimentação, tornando-se indispensável que o PNAE, por meio da Lei de Diretrizes Orçamentárias, conceda cestas básicas aos alunos carentes e que possuam frequência escolar ativa. De igual modo, é indispensável uma sociedade com a mídia e entidades formadoras de opinião, pois quando atuam juntas, podem promover palestras nas escolas sobre à obesidade infantil com médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos, e com a obrigação de que cada criança esteja com os pais ou responsáveis.