Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 21/07/2020

Na obra ‘‘Brasil: Uma Biografia’’, as historiadoras Lília Schwarcz e Heloísa Starling apontam ao leitor as peculiaridades da sociedade brasileira. Dentre delas, destaca-se a difícil e tortuosa construção da cidadania. Com efeito, tal conjuntura é análoga ao hodierno cenário nacional, visto que, apesar do Estatuto da Criança e do Adolescente assegurar o direito à alimentação adequada, a obesidade infantil é um problema de saúde recorrente no país. Nesse contexto, deve-se analisar como a omissão familiar e a negligência das escolas colaboram a questão.

Em primeiro plano, a omissão de diálogos entre pais e filhos é o principal responsável pelo aumento da obesidade infantil no Brasil. Isso porque, com o advento da globalização e a consolidação do capitalismo, o desejo insaciável pela obtenção do máximo lucro monetário faz com que pais passem mais tempo trabalhando do que educando seus filhos acerca de uma alimentação balanceada. Sob tal ótica, por exemplo, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), uma a cada grupo de três crianças, com idade de cinco a nove anos, está acima do peso no país. Por consequência dessa omissão, as crianças torna-se mais propensa a desenvolver hábitos alimentareis inadequados e, consequentemente, desenvolver doenças crônicas como diabetes e hipertensão.

Outrossim, a negligência das escolas brasileiras - no que diz respeito ao efetivo comprimento da lei - influencia na problemática. Isso acontece porque, sancionada em 2018, a Lei de Educação Alimentar e Nutricional visa incentivar hábitos alimentares saudáveis nas instituições de ensino no Brasil. No entanto, mesmo em vigor a dois anos, a lei não é efetiva no país. Sob esse viés, conforme Émile Durkheim, sociólogo francês, a escola é uma das instâncias da socialização. Logo é vital apresentar não somente conteúdos, mas também noções de cidadania. Por conseguinte, nota-se que as instituições de ensino no Brasil negligencia a construção da plena cidadania.

Infere-se, portanto, a necessidade de criar medidas para a solidificação de um mundo melhor. Em razão disso, com a finalidade de incentivar hábitos alimentares saudáveis no país, urge ao Ministério da Saúde promover, por meio das redes sociais - meio de comunicação mais acessado por crianças e adolescentes -, campanhas midiáticas. Tal campanha deverá ser feita de forma lúdica e adaptada a cada faixa etária, contando com a contribuição de nutricionistas especializados no assunto. Ademais, o Ministério da Educação deve fiscalizar, bem como multar, as instituições de ensino que não cumpre a Lei de Educação Alimentar e Nutricional no país. Somente assim, o Brasil poderá caminhar para a concretude dos direitos constitucionais da criança e do adolescente.