Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 21/07/2020

Desplugados

Seja em livros, filmes, quadrinhos ou mesmo em obras de arte, crianças sempre foram retratadas de forma travessa, agitadas e causadoras de problemas.Contudo, a percepção moderna dos “herdeiros do futuro” vem se distanciando cada vez mais dessa idealização midiática. A popularização dos eletrônicos somada à infraestruturas esportivas de baixa qualidade afetam diretamente no combate à obesidade infantil no Brasil, e são tópicos cuja discussão exala urgência.

Celulares, laptops, computadores, tablets… No século da internet não faltam opções para se conectar ao mundo virtual e criar uma vida on-line: em um mundo tão tecnológico, portanto, não é de se espantar que crianças estejam usufruindo cada vez mais de tais dispositivos, e trocando as clássicas brincadeiras de rua por jogos virtuais e videoconferências com amigos. Uma reportagem do “Portal terra” mostrou que os “e-sports”, isto é, jogos on-line em equipe, cresceram não apenas no Brasil como no mundo todo, se tornando um fenômenos global. De tal maneira, pode-se relacionar diretamente o aumento no índice de obesidade infantil ao fato de que as crianças do presente não mais passam a tarde brincando na rua, por exemplo. Ao invés disso, os jovens atuais fecham-se em casa com seus computadores e diminuem bruscamente a quantidade de exercícios diários que estariam praticando durante uma partida de futebol com os colegas, uma corrida ou quaisquer outras brincadeiras.

Além disso, mesmo que existam crianças afoitas e dispostas a prática de exercícios é preciso notar que uma grande parcela da população brasileira vive em áreas não  apropriadas para a prática de atividades físicas e, muitas vezes, não nutre o privilégio de ir a um parque ou praça que proporcione os requisitos adequados para tal. Enquanto famílias mais abastadas moram em condomínios com academias, áreas de lazer, jardins e piscinas, o morador de bairros menos afortunados precisa pagar a passagem de ônibus para outros locais no intuito de praticar exercícios. Assim, uma criança, que tecnicamente não possui autonomia para utilizar transportes públicos sozinha, deixa mais uma vez de se exercitar, impulsionando o índice de obesidade infantil no país.

Dessa maneira, é possível observar que a falta de exercícios é uma das grandes responsáveis pelo índice crescente de obesidade infantil no país: enquanto alguns jovens preferem jogos on-line, outros sequer têm acesso a estrutura esportiva. Cabe ao Estado, portanto, impulsionar campanhas como a “1, 2, 3 e já” que explicitem, por meio da conscientização de pais e professores, a importância do combate à obesidade, e da prática de exercícios na escola, além da criação de mais praças e áreas verdes em áreas de classes baixas da cidade, para que, então possamos combater tal problemática.