Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 05/08/2020
O Realismo, movimento literário brasileiro, surgido no século XIX, propôs a investigação do comportamento humano e denunciou problemas sociais. Na contemporaneidade, é relevante recuperar estes princípios, uma vez que os desafios para se combater à obesidade infantil, persistem atrelados à realidade do país, seja pelos interesses capitalistas, seja pelo risco à saúde das crianças. Com efeito, evidencia-se a necessidade de promover melhorias nesse âmbito, a fim de garantir o bem-estar delas.
A princípio, segundo os pensamentos do sociólogo Karl Marx, o capitalismo, desde a sua criação, se tornou mecanismo de exploração na sociedade. Na atualidade, tal perspectiva se relaciona, diretamente, ao quanto os interesses capitalistas se sobrepõe em relação à necessidade de uma alimentação saudável e nutritiva para as crianças.Além disso, muitos são as estratégias utilizadas pelos setores de marketing das grandes empresas para venderem produtos alimentícios que contam com pouco valor nutricional e altos teores de aditivos, dentre elas a utilização de brinquedos para chamar a atenção das crianças e de personagens nas propagandas para que o público infantil seja atraído e consuma tais produtos.Contudo, apesar desse tipo de publicidade ser considerada abusiva, poucas são as ações governamentais tomadas, com o intuito de frear a manipulação presente no meio midiático.
Ademais, é imprescindível salientar que o risco à saúde das crianças é, muitas vezes, negligenciado pelas famílias, haja vista que a praticidade em alimentar as crianças com produtos industrializados, associada a ausência de práticas de exercícios físicos propicia um cenário em que os quadros clínicos das crianças são incompatíveis com a idade delas. Além do mais, doenças como hipertensão, diabetes e colesterol alto, as quais são comuns a um público mais velho, vem se tornando constantes nos consultórios pediátricos, como é retratado no documentário “Muito Além do Peso”. Na obra cinematográfica são apresentadas crianças que, em decorrência de uma rotina sedentária e de alimentação desregrada, tem suas vidas afetadas e a saúde prejudicada.
Em virtude dos fatos mencionados, cabe ao Conselho de Autorregulamentação Publicitária (CONAR), em parceria com o Ministério Público, promover, por meio da implementação da legislação vigente e da elaboração de novas políticas de controle, uma maior fiscalização da publicidade infantil a fim de evitar que esse público tão vulnerável seja afetado, negativamente. Além de tudo, cabe às escolas proporcionarem para as crianças e suas famílias, mediante o oferecimento de palestras sobre o tema e de práticas esportivas em conjunto, uma conscientização coletiva a respeito da importância da alimentação saudável e da realização de atividades físicas, para que dessa maneira, sejam solucionadas tais mazelas que comprometem o bem-estar e o desenvolvimento infantil.