Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 25/08/2020
Nos tempos passados, o excesso de peso, principalmente nas crianças, era sinônimo de qualidade de vida pois garantia imunidade contra diversas infecções. Entretanto, hodiernamente, essa linha de raciocínio se alterou e a obesidade infantil é um dos problemas mais eminentes no Brasil. Em função disso, é válido destacar as principais causas deste impasse, que devem ser analisadas com cuidado em busca de solução.
Primordialmente, deve-se observar o comportamento e as atitudes dos pais com relação ao seu filho na criação, desde os primeiros meses. De acordo com o médico Drauzio Varella, mães que ganham muito peso na gravidez apresentam um risco 80% maior de terem filhos com sobrepeso ainda na infância. Logo, a inserção de alimentos não naturais e ultra processados na dieta da criança é extremamente prejudicial e influencia diretamente nos hábitos alimentares e no futuro da mesma. Somado a isso, a falta de incentivo dos responsáveis às práticas esportivas ou atividades de lazer que consumam energia agravam ainda mais o caso em questão.
Paralelo a isso, é explícito o descaso da mídia para com a situação de obesidade infantil que o país enfrenta. Segundo o filósofo Karl Marx, “em um mundo capitalizado a busca pelo lucro ultrapassa valores éticos e morais”. A hegemonia dos veículos midiáticos e das empresas alimentícias quando o assunto é vender seus produtos emplaca consequências acrescidamente negativas ao consumidor - neste caso, a criança e seus pais. Nesse contexto, a ausência de transparência dessas empresas ao criar uma embalagem atrativa gera uma imagem de alegria assimilada ao alimento, fugindo da realidade que, muitas vezes, é a degradação da saúde.
Urge, portanto, a necessidade de combate às adversidades expostas. Com isso, os Ministérios da Saúde e da Educação devem realizar palestras nas escolas - destinadas aos alunos e seus pais - salientando a importância de uma alimentação saudável e equilibrada longe de produtos hipercalóricos e prejudiciais, ministradas por profissionais da área qualificados em concursos públicos (nutricionistas, por exemplo). Ademais, também deve haver nessas palestras orientações aos responsáveis de como escapar de propagandas enganosas e como filtrar os males advindos da falta de informação das marcas. Somente assim, olharemos para um futuro melhor e mais saudável às crianças.