Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 30/08/2020
A canção “Eu Quero é Mais” da dupla Sandy e Junior, voltada para o público infantil, estimula o consumo de alimentos danosos à saúde ao dizer: “Eu queria ter um dia pra comer só porcaria”. Essa letra é preocupante e impacta negativamente a vida das crianças ouvintes, pois colabora para a adoção de rotinas alimentares ruins, situação que associada a fatores como o contato com certas propagandas e o sedentarismo, pode provocar obesidade e outros problemas de saúde. Dessarte, deve-se elaborar medidas para suprimir as problemáticas apontadas.
Em primeira análise, vale ressaltar que a associação de imagens de desenhos infantis a alimentos prejudiciais à saúde nas propagandas televisivas contribui para o desejo das crianças de consumirem tais produtos, que, em excesso, podem levar à obesidade. Isso ocorre, já que, ao relacionar seus personagens preferidos como o “Bob Esponja” a um produto, a criança é instigada a solicitar aos pais a compra, o que, ao ser concedido, pode propiciar um mau hábito alimentar. A partir do contexto, cabe citar um dado levantado em 2011 pela Fundação Getúlio Vargas: por dia, as crianças brasileiras passam em média 5 horas em frente à TV e 3 horas na escola. Esse fato retrata uma causa preocupante da influência gerada pela publicidade nas crianças, que, portanto, deve ser combatida.
Em segunda análise, é importante afirmar que o sedentarismo relaciona-se diretamente à obesidade e é reforçado pelo descaso das escolas para com a atividade física. O cenário citado sucede, pois a desvalorização da prática esportiva contribui para o surgimento de doenças comuns aos obesos, como hipertensão e artrose, além coibir a promoção de valores essenciais como o trabalho em equipe. Diante desse quadro, é relevante mencionar o documentário “Muito Além do Peso” da diretora Estela Renner, que retrata o dia a dia de crianças obesas vítimas de um modelo educacional pautado em apenas 15 minutos de aulas teóricas de educação física. A situação descrita dificulta a prevenção da obesidade e é um obstáculo para a melhoria da qualidade de vida dessas crianças.
Diante do exposto, a fim de diminuir os efeitos da publicidade sob as crianças, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária deve alterar as propagandas, por meio da abertura de processos contra as empresas que utilizarem de uma comunicação mercadológica nociva à saúde do público infantil. Essa alteração deve extinguir a associação de personagens lúdicos a alimentos ultraprocessados. Além disso, para melhorar a qualidade de vida das crianças, o Ministério da Educação deve intervir no plano de ensino das escolas, por meio de alterações nas aulas de educação física. Essa mudança deve garantir que os alunos tenham contato com o esporte de forma efetiva. Assim, canções como as de Sandy e Junior não mais representarão a realidade de tantas crianças.