Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 04/10/2020
Desde o início da globalização, as redes de “fast food” foram disseminadas pelo mundo. No Brasil, a chegada desses restaurantes propiciou uma mudança na alimentação dos brasileiros, sobretudo das crianças, que são influenciadas pelas campanhas de incentivo a esse tipo de alimentação. Com isso, a obesidade infantil tornou-se um impasse na saúde pública, à medida que o Estado e as famílias são negligentes na oferta de alimentos adequados aos pueris. Nesse sentido, é imprescindível que haja um debate entre o setor público e a sociedade, a fim de que os erros existentes sejam sanados.
A priori, consolida-se a ideia da escritora francesa Françoise Héritier sobre o mal começar com indiferença e resignação, baseado na conjuntura de que o Estado é displicente na seguridade do acesso à saúde, previsto no artigo quarto do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).Dessarte, seja pela ausência de campanhas de incentivo à prática de esportes na infância, seja pela livre circulação de propagandas que estimulam o consumo de alimentos não saudáveis pelas crianças - como as com lanches associados a brinquedos na rede Mc Donald’s - a obesidade infantil é uma epidemia. Por conseguinte, doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, aparecem e exigem uma maior demanda dos hospitais do país.
A posteriori, convém ressaltar a frase de Karl Marx acerca de o governo gerir apenas os negócios comuns à burguesia, visto que as indústrias alimentícias participam das deliberações entre o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária e permanecem com o direito de produzirem alimentos com aromas, essência e desequilibradas quantidades de açúcar. Isso, segundo o médico Dráuzio Varella, consolida a “escravização do paladar” nas famílias, isto é, o vício por esses alimentos. Dessa forma, as crianças são diretamente influenciadas por uma alimentação artificial e desprovida de nutrientes, o que culmina, novamente, na obesidade infantil.
Diante disso, é evidente a necessidade de um debate entre o setor público e a sociedade. Cabe, portanto, respectivamente, ao Ministério da Saúde, a criação de campanhas, na televisão, de incentivo à prática de esportes na infância, a fim de que haja o controle calórico e a redução do sobrepeso das crianças; e ao Ministério Público Federal, a abertura de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade, por meio da publicação no Diário Oficial da União, com a finalidade de coibir o Estado diante da seguridade do acesso à saúde previsto no ECA e, com isso, promover a reeducação alimentar das famílias. Assim, a epidemia de obesidade infantil será sanada.