Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 06/10/2020
No filme " A fantástica fábrica de chocolate", crianças com compulsão alimentar se submetem a testes dentro de uma indústria de chocolates e sentem-se atraídas pela variedade de doces coloridos lá existentes. Analogamente, no Brasil, campanhas publicitárias incentivam o consumo de alimentos não saudáveis por crianças e, somado a isso, o Estado é displicente no incentivo às práticas esportivas. Esse cenário contribui para a epidemia de obesidade infantil que assola o país. É necessário, portanto, um debate entre Estado e sociedade, a fim de que esse impasse para uma infância saudável seja sanado.
A priori, consolida-se o pensamento da escritora francesa Françoise Héritier, acerca de o mal começar com indiferença e resignação, baseado na conjuntura de que o governo é displicente frente a seguridade do direito à saúde, previsto no artigo quarto do Estatuto da Criança e do Adolescente.Dessarte, a inexistência de campanhas de incentivo à prática de atividades físicas por crianças e espaços públicos destinados às práticas sucateados contribuem para que a obesidade infantil seja, segundo a Organização Mundial de Saúde, uma epidemia recém chegada no Brasil. Por consequência, doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, afetam o desenvolvimento físico e cognitivo dessas crianças.
A posteriori, convém ressaltar o controle exercido pelas indústrias alimentícias na política dos países, que, assim como o documentário “Fed Up” demonstra, participam das reuniões e das decisões nos órgãos públicos de controle de alimentos. Dessa forma, promovem, segundo Dráuzio Varella, a “escravização do paladar”, com comidas de baixo valor nutricional, calóricas e artificiais, isto é, com essências e aromas ultraprocessados. Assim, devido ao vício propiciado, famílias tornam esse tipo de alimentação um hábito. Por conseguinte, isso, novamente, nas crianças, contribui para a obesidade.
Diante disso, torna-se evidente o descompasso entre Estado e sociedade na promoção de uma infância saudável. Cabe, portanto, respectivamente, ao MEC, a criação de campanhas, na internet e nos postos de saúde, mediante cartazes e imagens virtuais, sobre a importância das atividades físicas na infância, a fim de que as crianças sejam estimuladas à praticá-las, e a obesidade infantil reduzida; e ao Ministério da Saúde a fiscalização de alimentos de baixo teor nutricional e ultraprocessados, a fim de que estes não cheguem às famílias indiscriminadamente. Assim, o Brasil terá crianças livres da obesidade, sanando sua epidemia.