Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 12/10/2020

A série “Insatiable”, exibida pela plataforma de streaming Netflix, retrata a história de uma jovem que passa por um processo de emagrecimento e aceitação após uma infância de bullying constante devido ao seu peso. Fora das telas, a obesidade infantil é uma grave problemática que ganha cada vez mais espaço entre crianças brasileiras e precisa ser combatida. Nesse cenário, faz-se necessário compreender as raízes do problema e suas consequências na vida dos afetados.

Em primeiro momento, é essencial entender a amplitude da situação e as causas que a intensificam. Assim, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2019, uma a cada três crianças apresentava obesidade infantil, caracterizando uma situação de risco para a saúde da fase infanto-juvenil, e posteriormente da fase adulta. Nesse sentido, o mau hábito alimentar influenciado pelas intensas propagandas midiáticas acerca dos chamados “fast-food” corrobora para o agravamento do cenário, uma vez que segundo a Associação Dietética Norte Americana Borzekowiski Robinson, bastam apenas trinta segundos para uma marca influenciar uma criança a consumi-la.

Além disso, o aumento da demanda por lanches industrializados, como bolachas recheadas e barrinhas de cereais, devido á necessidade de uma maior praticidade no cotidiano, afeta de maneira negativa a saúde desses indivíduos. Ademais, a influência parental apresenta fator de importância nesse meio; o uso da comida como fator de compensação e a falta de anseio pela prática de atividades esportivas, são características transmitidas de maneira direta dentro da própria relação familiar, podendo culminar na formação de um cidadão sedentário e emocionalmente ligado à alimentação. Assim sendo, essa crianças ficam sujeitas à doenças ainda mais graves como hipertensão, obstrução cardíaca e acidentes vasculares, além de problemas de aceitação e questões psicossomáticas.

Diante do exposto, é nítida a necessidade de medidas que solucionem a obesidade infantil no país. Portanto, cabe ao governo, por meio do Ministério da Saúde, elaborar cartazes explicativos sobre essa enfermidade e promover palestras no ambiente escolar para alunos, pais e funcionários, a fim de ensinar sobre os perigos dessa doença, muitas vezes banalizada, e conscientizar sobre a importância de ser manter uma alimentação saudável e uma vida ativa, visando evitar riscos futuros e consolidar a formação de uma geração mais saudável. Outrossim, cabe aos pais influenciar de maneira correta dentro do ambiente familiar, incentivando a prática de exercícios físicos de maneira conjunta e rompendo com o ideal de comida como recompensa ou compensação emocional, atenuando os índices de crianças sedentárias e dependentes de alimento como fator de felicidade, diminuindo o número de afetados pela obesidade infantil que se sentem inferiorizados como na série “Insatiable”.