Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 20/10/2020
Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos o direito à saúde e ao bem-estar social. No entanto, o aumento do número de crianças obesas impossibilita que essa parcela da população desfrute desse direito universal na prática, já que o sobrepeso é fator de risco para o aparecimento de várias doenças crônicas. Diante disso, não há dúvidas que o combate à obesidade infantil é um desafio no Brasil; o que ocorre devido a alimentação inadequada e ao sedentarismo.
Em primeira análise, nota-se que a indústria alimentícia de desvirtuou ao longo dos anos. Nessa perspectiva, o filósofo polonês Zygmunt Bauman elaborou em sua obra “modernidade líquida” o conceito de “instituição zumbi, cujo papel foi perdido, embora mantenha, a qualquer custo, sua forma. Analogamente, as empresas de alimentos, originalmente responsáveis por desenvolver e vender comidas nutritivas e essenciais à vida, passaram a atender apenas aos seus interesses econômicos, perdendo sua função. Prova disso é a expansão descontrolada de propagandas infantis apelativas, que incentivam o consumo dos ultra processados e “fast food”, os quais são ricos em gordura e açúcares, causando o ganho de peso dos pequenos. Isso posto, entende-se que a obesidade infantil está diretamente relacionada à alimentação inadequada incentivada pela publicidade do setor de alimentos.
Em segunda análise, verifica-se que estilo de vida atual corrobora para o aumento da massa corporal dos infantis. Com advento da terceira Revolução Industrial, no século XX, houve um grande avanço tecnológico e, desde então, as pessoas passaram a viver em função da máquina. Nesse contexto, as crianças substituíram as brincadeiras em movimentos por jogos de “videogame” e atrações on-line em smartphones e tablets, dando espaço ao sedentarismo. À vista disso, observa-se crianças cada vez menos ativas e com pesos mais elevados, o que compromete a saúde desses indivíduos, visto que tais condições são precursora de doenças graves, com hipertensão e diabetes.
Infere-se, portanto, que os desafios para combater a obesidade infantil no Brasil precisam ser superados a fim de que o direito à saúde seja garantido a todos. Desse modo, com objetivo mitigar o consumo de alimentos calóricos e o sedentarismo, o Estado deve criar um programa de combate a obesidade. Isso deve ser realizado por meio da proibição de propagandas que utilize mecanismos de manipulação infantil, como personagens de desenhos e brinquedos. Além disso, o programa deve incentivar o consumo de alimentos saudáveis e a prática de exercícios, mediante publicidades nas mídias sociais que resgatem o interesse por frutas e legumes, bem como por brincadeiras tradicionais: cabra-cega, pique-esconde e amarelinha, por exemplo.