Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 20/10/2020

O “reality show” estadunidense Quilos Mortais, ao relatar o cotidiano de cidadãos que convivem com a obesidade, aborda sobre os impactos negativos na saúde e na qualidade de vida das pessoas causados pelo sobrepeso. Análogo a isso, no Brasil, o quadro da obesidade infantil tem preocupado especialistas da área da saúde, visto que ela faz-se fortemente presente no país. Nessa perspectiva, de acordo com o Ministério da Saúde (MS), cerca de um terço das crianças brasileiras possui excesso de peso, situação essa que pode colocar em risco sua sanidade, por desencadear doenças como diabetes e problemas cardiovasculares. Por isso, é importante analisar que essa alta taxa ocorre em virtude da falta de informação fornecida à população somada à carência de investimento na saúde popular.

Em primeiro lugar, ressalta-se o papel da informação na sanidade desses indivíduos. Nesse contexto, sem a educação, em concordância com Paulo Freire, não é possível efetivar mudanças significativas na sociedade. Nessa conjuntura, a escassez de instrução fornecida aos pais das crianças brasileiras acerca da responsabilidade alimentar contribui para o aumento da taxa de obesidade infantil, haja vista que esse índice eleva-se a cada ano. Como prova disso, segundo o MS, o índice de sobrepeso entre crianças e jovens cresceu em cerca de 110% apenas nos últimos dez anos. Isso posto, verifica-se a necessidade de medidas educativas para reverter esse cenário.

Além disso, salienta-se a participação do investimento público na luta contra a obesidade infantil. Nesse sentido, o Brasil é, consoante a Organização Mundial da Saúde (OMS), um dos países que menos investe na sanidade de seu povo. Dessa forma, a falta de aplicação financeira na área da saúde é um empecilho para o combate ao excesso de peso entre crianças e adolescentes, uma vez que muitos desses cidadãos não possuem acesso a profissionais, a exemplo de nutricionistas. Como efeito disso, o Centro de Recuperação e Educação Nutricional (CREN) estima que, em 2025, o país terá quase 12 milhões de crianças obesas. Logo, explicita-se a importância do investimento na saúde.

Em síntese, a escassez de informações fornecidas ao povo, associada à carência de aplicação monetária na sanidade pública, é um impasse para o combate ao excesso de peso nas crianças do país. Portanto, cabe ao MS, por meio da contratação de profissionais qualificados, a exemplo de nutricionistas e nutrólogos, fornecer aos pais e responsáveis por crianças palestras educativas a respeito da importância da educação alimentar, a fim de instruí-los quanto à nutrição de seus filhos. Ademais, ele deve, mediante investimento financeiro, assegurar a esses cidadãos consultas gratuitas com esses profissionais em hospitais públicos e postos de saúde, com o fito de ampliar seu acesso para o povo. Assim, espera-se reduzir o alto índice de obesidade infantil no Brasil.