Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 21/10/2020

A obesidade é considerada pela Organização Mundial da Saúde como um dos maiores problemas de saúde pública do século XXI. No Brasil, dados do Ministério da Saúde explicitam o crescimento vertiginoso dessa doença entre adultos, e, o que é mais preocupante, entre crianças. A obesidade infantil, além de poder causar problemas psicológicos ligados à autoimagem, torna a criança suscetível ao desenvolvimento precoce de doenças graves, como hipertensão e diabetes. Em vista disso, fica clara a necessidade de analisar as causas do avanço desse problema, para que se possa combatê-lo de forma efetiva.

Em primeiro lugar, deve-se considerar que os maus hábitos alimentares dos adultos impactam negativamente os hábitos das crianças sob sua responsabilidade. O documentário “Muito Além do Peso” mostra que, cada vez mais, as famílias brasileiras optam pelo consumo de alimentos industrializados e ultraprocessados, ricos em gordura e açúcar, que favorecem o ganho de peso, e tem baixo valor nutricional. Dessa forma, se toda a família tem uma dieta desequilibrada, torna-se praticamente impossível a implantação de uma alimentação saudável desde a infância, o que facilita o desenvolvimento da obesidade.

Ademais, o excesso de exposição a entretenimentos tecnológicos também favorece o ganho de peso, na medida em que estimula o sedentarismo. Dados do IBGE apontam que menos da metade das crianças brasileiras praticam ao menos uma hora de atividade física por dia, enquanto que quase 80% passam em média duas horas por dia assistindo televisão. Tal tendência é preocupante, pois a prática rotineira de atividades físicas é essencial para o desenvolvimento físico e mental adequado das crianças, e para a prevenção da obesidade e de doenças correlatas.

É importante destacar que o Ministério da Saúde já vem adotando medidas para controlar o crescimento da obesidade infantil, porém, é evidente a necessidade de priorizar esse problema. Sendo assim, os Ministérios da Saúde e da Educação, em conjunto, devem tornar obrigatório que as escolas de ensino fundamental e médio ofereçam acompanhamento nutricional aos estudantes, em conjunto com os responsáveis, para que haja a implantação de uma dieta saudável que se adeque à realidade de cada família. Ainda, o Ministério da Educação deve ampliar o número de horas dedicadas à disciplina de Educação Física no currículo educacional básico, além de investir em propagandas que alertem os responsáveis acerca dos riscos que a exposição exagerada das crianças à mídia representam para a saúde, tudo a fim de estimular a prática de atividades físicas durante a infância.