Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 23/10/2020

Na criativa ficção da Pixar, “Wall-e”, a humanidade tornou-se obesa em razão do vislumbro do consumo, gozo e artificialidade das redes sociais, incapazes de levantarem-se de suas cadeiras. Hodiernamente, o número de crianças acima do peso tem se tornado um problema de saúde pública em todo o mundo, principalmente em países ricos e emergentes. Sob essa óptica, faz-se imperioso responsabilizar não apenas a cultura midiática da má alimentação com o auxílio do comércio, mas também a falha educação alimentícia por escolas.

Nessa perspectiva, baseando-se nos fatos que os jovens e crianças vivem inúmeros períodos de descobertas e amadurecimento do córtex pré-frontal, esses ainda não adquiriram a capacidade crítica do certo e errado. Ademais, propagandas de fast-foods, como o “Mc Donald’s”, atraem crianças pelo fato de oferecem brinquedos em seus lanches. A mídia tem contribuído para a disseminação da filosofia niilista da má alimentação, visto que pesquisas da Uol afirmaram que, em 2017, uma em cada cinco mortes no mundo estava associada a uma má dieta alimentar, que provoca doenças cardiovasculares, por exemplo. O tipo de comida propagada em propagandas midiáticas foge de um padrão saudável, exibindo um alto teor de sódio, gorduras e frituras, que podem aumentar o peso de crianças, influenciadas por brinquedos, apelação comercial e manipulação telespectiva.

Ademais, “o homem é o lobo do homem” é uma célebre frase de Hobbes em que afirma que o homem é o seu pior inimigo, correlacionando o aumento exponencial de pessoas obesas no mundo. Também, o papel fundamental de instituições de ensino é esclarecer, por meio de fatos e pesquisas concretas, que a obesidade é uma via para doenças cardiovasculares, respiratórias e, em especial, psicológicas, porém esse tipo de aula é negligenciado e considerado pouco importante hodiernamente. Outrossim, é importante salientar que as crianças passam uma grande parcela de suas vidas na escola. No entanto, cantinas escolares não proporcionam alimentos saudáveis para essas, fornecendo aos estudantes alimentos gordurosos e refrigerantes, apesar de dietas mais associadas à obesidade serem aquelas com alto teor de açúcares e insuficiente ingestão de frutas, legumes e ômega-3.

Assim, cabe ao Ministério da Saúde, atrelado ao Ministério da Educação, promover um maior destaque de investimento para instituições de ensino, por meio de emendas constitucionais, fornecendo uma alimentação mais saudável em cantinas de escolas, em especial, para públicas, com o objetivo de corrigir dietas juvenis. Além disso, a mídia deve divulgar e ensinar informações sobre hábitos saudáveis, como exercícios físicos e ingestão de frutas, em plataformas como o “Instagram”, com o fito de conscientizar os jovens. Apenas assim a ficção da Pixar ficará apenas nas telas de cinema.