Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 09/12/2020

Na série animada “Os Simpsons”, a personagem Lisa, de oito anos, virou obesa e perdeu a aptidão física para fazer tarefas simples quando comeu apenas guloseimas nas refeições. De fato, casos como o dela não se limitam a cenários fictícios e refletem uma das consequências que a má alimentação pode causar nas crianças. Nesse sentido, debater acerca dos desafios para combater a obesidade infantil é pertinente ao contexto moderno. Sobre essa perspectiva, é apropriado alegar que o consumo em massa é a base do sistema capitalista e é dever da família evitar a difusão desse modelo na mesa.

Deve-se pontuar, antes de tudo, que com o advento da Revolução Industrial e a consolidação do capitalismo, o mundo passou a ser guiado pela lógica consumista para sustentar o novo ritmo de produção. Nessa lógica, é válido afirmar que a alimentação tornou-se subordinada à esse pensamento moderno. Segundo o médico Drauzio Varella, a compulsão alimentar leva à obesidade e favorece acúmulo de gordura no corpo, que por sua vez aumenta as chances de doenças como cardiopatias, diabetes e transtornos hepáticos. Logo, presume-se que os hábitos de consumo da sociedade moderna, quando revertidos para a alimentação das crianças, resulta em um grave problema de saúde pública.

Ademais, os responsáveis legais pelas crianças que selecionam o tipo de alimentação que elas terão. Dentre esses efeitos, conforme a teoria sobre o processo de socialização do autor Anthony Giddes, o primeiro contato que os menores têm com leis e regras é com a família, essa repreensão em casa é essencial para que eles desenvolvam naturalmente a preferência por hábitos corretos. Por certo, se a criança estabelece más práticas alimentares que terão como consequência uma série de doenças, a família demonstra um despreparo em impor limites. Desse modo, percebe-se certa urgência na adoção de medidas que trabalhem esse problema e seus efeitos.

Torna-se evidente, portanto, que casos como o da Lisa não podem continuar a ser reflexo da sociedade moderna. Assim, é necessário que cada país trabalhe essa questão internamente, no caso do Brasil, cabe ao Ministério da Família, com ações das mídias tradicionais e atuais, alerte sobre os problemas de saúde que a compulsão e a má alimentação podem gerar, por meio de quadros em programas populares e publicidades em redes sociais, com o intuito de alcançar o público alvo e levá-los a reflexão sobre as consequências desses hábitos na infância. Além disso, as escolas precisam dar gratuitamente alimentação natural, a fim de ampliar o contato das crianças a esse comportamento saudável. Enfim, a partir dessas ações, o consumismo não estará presente nas refeições dos menores.