Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 24/11/2020

Defina-se a obesidade sendo o excesso de gordura corporal devido a má alimentação, cuja consequência é a formação de doenças crônicas em crianças e adolescentes, como a diabetes. Esse fato demonstra a fragilidade do sistema público brasileiro, a qual, por falta de investimentos em fiscalizações e em programas nutricionais nas escolas, gera o principal problema do país: desconhecimento sobre a obesidade infantil. Assim, observa-se a necessidade de analisar os avanços e os desafios para uma possível solução da problemática.

A princípio, vale ressaltar o progresso histórico na luta para garantir a proteção dos jovens. Nesse sentido, Mário de Andrade - importante poeta brasileiro - afirmava que ‘‘O passado é lição para se meditar, não para se reproduzir’’. Tal assertiva faz referência ao período Way Of Life American (Estilo de Vida Americano), quando houve não somente grande avanço industrial nos Estados Unidos, mas também o surgimento em larga escala de propagandas de alimentos com baixo teor nutricional voltadas para o público infantil e, por conseguinte, aumento no número de crianças acima do peso. Por tudo isso, o Poder Legislativo do Brasil formulou em 2014 um conjunto de leis que proibem a transmissão de publicidades capazes de persuadir o jovem a aderir ao consumo de alimentos supercalóricos, com vistas a combater a obesidade infantil.

Não obstante, é indispensável destacar os obstáculos enfrentados para assegurar o acesso à saúde. Nessa lógica, a definição da obesidade representa a realidade de um terço das crianças brasileiras e esse índice tende a crescer rapidamente, segundo dados do Ministério da Saúde. Isso ocorre devido a ausência de incentivos às fiscalizações durante propagandas alimentícias que utilizam desenhos animados para influenciar o consumo infantil. Ainda, é importante evidenciar que a não introdução da matéria Educação Alimentar na grade curricular prejudica o conhecimento acerca da alimentação saudável e equilibrada entre os jovens, pois permanece entre parte dos estudantes a ideia de que a obesidade possui apenas fator hereditário, ou seja, transmitida de pais para filhos.

Depreende-se, portanto, que ações contra a obesidade infantil devem ser imediatamente iniciadas. Para tanto, o Ministério da Justiça, órgão responsável pela juridicização do país, deve direcionar parte de seus recursos econômicos para o aumento do número de fiscais, por meio de concursos públicos em amplo território nacional, visando fiscalizar e impedir a propagação da publicidade infantil e lutar contra o aumento da obesidade entre crianças. Ademais, cabe ao Ministério da Educação desenvolver uma discussão sobre a má alimentação entre os jovens nas escolas, a partir da inserção da matéria Educação Alimentar na grade curricular, a fim de transmitir informações e orientações nutricionais.