Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 18/11/2020

Em 1988, representantes populares - reunidos em Assembleia Constituinte - definiram dois direitos : a saúde e a proteção à infância. Ocorre que, no que tange à obesidade infantil, tais prerrogativas são desrespeitadas, prejudicando o bem-estar físico e psicológico de meninos e meninas. Seja por hábitos alimentares não saudáveis, seja pelo culto aos alimentos ultraprocessados, essa epidemia deve ser combatida no Brasil, a fim de gerar uma infância agradável e sadia.

Em primeiro plano, verifica-se que os hábitos alimentares do brasileiro são prejudiciais à saúde de crianças e adultos. Nesse sentido, a dieta rica em colesterol do tipo LDL, presente nos óleos, amplamente consumidos no país, são causadores de doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral, o AVC. Assim, o consumo frequente de tais nutrientes é danoso ao bem-estar dos mais jovens, que podem também ser acometidos por tais condições. Desse modo, é necessário repensar os alimentos utilizados para a nutrição, a fim de manter a integridade dos infantes.

Ademais, o culto aos ultraprocessados é um fator de impulso para a obesidade infantil, à medida que gera um ímpeto, prejudicial ao vigor, de consumir tais alimentos. Nesse viés, o filósofo Theodor Adorno desenvolveu o conceito de ‘‘Indústria Cultural’’, segundo o qual a mídia propaga, de forma constante, produtos e ideias, de modo a incentivar seu público a adquirir tal bem. Dessa forma, meninos e meninas que assistem à tais meios são levados a consumir comida industrializada, rica em açúcares, gorduras e sais, que levam à propensão a doenças como a obesidade, infarto e pressão alta, representando, assim, um problema de saúde pública.  Destarte, enquanto a valorização dos ultraprocessados for a regra, crianças sadias serão a exceção.

Portanto, para solucionar a problemática da obesidade infantil, urge que as escolas, em parceria com nutricionistas, incentivem a alimentação saudável nesses locais, a fim de criar o desejo de consumo de produtos naturais e nutritivos nas casas dos alunos. Isso poderia ser feito por meio da inclusão de frutas, vegetais e verduras na dieta estudantil, num projeto que poderia ser chamado de ‘‘Saúde Presente’’, que mostraria a importância de se alimentar bem. Com efeito, as crianças incentivariam seus pais a adotarem hábitos valorosos de nutrição e deixariam de consumir intensamente os produtos industrializados. Com isso, poder-se-á, enfim, atingir o pretendido pela Carta Magna.