Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 25/11/2020

O filme ‘’A fantástica fábrica de chocolate’’ dirigido por Tim Burton, apresenta um mundo psicodélico de uma indústria de doces que influencia, principalmente, na imagem corporal da personagem Augustus Gloop. De maneira análoga, é possível observar, na contemporaneidade, o mesmo efeito condicionante sobre o público infanto-juvenil propiciando o aumento dos índices de obesidade. Dessa forma, tem-se as propagandas publicitárias direcionadas às crianças, bem como os interesses financeiros atrelados à má alimentação infantil, como desafios no combate à obesidade infantil.

Á luz dessa ideia, destaca-se o projeto Genética de Transtornos Alimentares da Universidade de São Paulo que expõe a relação a publicidade e a obesidade infantil. De acordo com os pesquisadores, a publicidade infantil agrava a doença no que tange a influência exercida em favor à valorização do consumismo através da associação alimentos calóricos à personagens e brinquedos. Dessa maneira, esse público vulnerável é exposto, diária e coercitivamente, às propagandas que os coadunam a um determinado comportamento, isto é, as crianças tendem a desenvolver hábitos que atuam como fonte que alimenta esse sistema publicitário, sendo guiadas à obesidade.

Ademais, é fulcral salientar os interesses financeiros atrelados à má alimentação da esfera jovem. Consoante o filósofo alemão Karl Marx, em um mundo capitalizado, a busca pelo lucro ultrapassa valores éticos e morais. Nesse sentido, observa-se a indústria alimentícia vendendo a imagem de seus produtos em meio a uma relação intrínseca de autorrealização e felicidade entre o consumo, promovendo, assim, um falso ideal, que atinge com maior impacto o público infantil. Logo, expõe-se o vínculo entre tal mentalidade egoísta em prol do lucro, mas em descaso com a saúde humana, como motor que atua ativamente na construção e ampliação dos índices de obesidade na infância.

Nesse ínterim, urge, pois, intervenções pontuais fitando combater os alarmantes índices de obesidade infantil. Por conseguinte, é inerente aos órgãos legislativos, como a Câmara dos Deputados e o Senado Federal, a elaboração e aprovação de políticas rígidas em relação à fiscalização das publicidades infantis, por meio de emendas constitucionais, a fim de provocar a diminuição dos impactos relacionados à exposição de crianças às propagandas coercitivas, assim como promover a dissociação do ideal de felicidade que atualmente está ligado ao consumismo. Destarte, mediante a implementação de ações como essa, ter-se-ão as condições “sine quibus non” para a proteção do público infanto-juvenil, preconizando sua saúde em detrimento da coadunação capitalista e impedindo que suas imagens corporais continuem sendo forjadas, como ocorrera no caso de Augustus Gloop.