Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 03/12/2020

A Constituição de 1988, documento mais importante do país, prevê em seu artigo 6 º, o direito a saúde como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando observa o combate à obesidade infantil, o que dificulta, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a obesidade infantil. Nesse sentido, o problema vem persistindo na sociedade, acarretando uma série de consequências, a exemplo da diminuição da auto estima, estrias, problemas cardíacos, riscos de diabetes e gordura no fígado. Sob esse viés, problemas psicológicos podem surgir, pois essa pessoa pode vir a sofrer “zoação” na escola e lugares que frequenta, o que causa desconforto, incômodo e humilhação. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a saúde, o que infelizmente é evidente no país.

Ademais, é fundamental apontar a falta de educação alimentar como impulsionador da obesidade infantil. Segundo Humberto Queiroz, você é o que você come. Diante de tal exposto, muitas famílias mudaram seu comportamento alimentar, consumindo mais alimentos industrializados e ingerindo mais gorduras e açúcares. O que leva a criança criar um hábito alimentar de baixa qualidade, podendo levar ao sobrepeso. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso é imprescindível que o Ministério da Saúde, por intermédio de investir em medidas educacionais, crie propagandas, em rádios e canais abertos de televisão, e crie também palestras, em escolas de ensino primário e fundamental, para os pais e filhos, a fim de ensinar com entretenimento e de modo divertido, como criar bons hábitos alimentares desde cedo. Assim, se consolidará uma sociedade com menor índice de obesidade infantil, onde o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.