Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 13/12/2020
A contemporaneidade exige reflexões em torno de hábitos alimentares nocivos à saúde. Tendo em vista as frequentes problematizações desse cenário no contexto da qualidade de vida de crianças brasileiras, cabem discussões a respeito da obesidade infantil como uma questão a ser superada. Assim, urge uma análise relacionada à influência de adultos nas práticas alimentares de infantes, como fator capaz de resultar no surgimento de doenças aos indivíduos em formação.
Os problemáticos hábitos alimentares de adultos reproduzidos por crianças emergem como aspecto decisivo para a obesidade infantil. A esse respeito, vale referenciar o sociólogo francês Émile Durkheim, ao considerar que o modo de pensar e agir de um indivíduo advém da influência de forças sociais. A partir desse prisma, identifica-se, hodiernamente, um negativo consumo infantil de alimentos ultraprocessados industrialmente – ricos em gorduras, açúcares e sódio – incentivados pelos adultos responsáveis pela primeira educação alimentar. Esse cenário é alicerçado pelo desenvolvimento industrial que privilegiou uma cultura alimentar prática, intensamente incentivada pelo discurso publicitário – no hábito de adultos e,consequentemente, de crianças.
Em resposta a esse panorama, prejuízo a saúde físca e ao bem-estar social são recorrentes às crianças brasileiras. Compreender essa assertiva é considerar que o ganho exagerado de peso oculta uma série de impactos na formação desses indivíduos – dentre eles, destacam-se, com maior frequência, diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares – capazes de comprometer não só a infância mas também a vida adulta. Esse quadro é constatado pela limitação no desempenho de atividades cotidianas, tais como brincadeiras, práticas escolares e exercícios físicos, resultando no aumento de pacientes infantis em consultórios, sobretudo de nutricionistas. Diante da gravidade do exposto, agir em prol da infância deve ser objetivo de seus responsáveis, sendo eles família e Estado.
Mitigar a obesidade infantil, portanto, requer do Estado – enquanto mantenedor das garantias sociais – a criação de uma Política Nacional de Enfrentamento à Obesidade Infantil. Para tanto, cabe, por meio das diversas mídias (eletrônicas e virtuais - com publicidades e ficções engajadas, protagonizadas por profissionais da saúde), a propagação de um discurso voltado aos responsáveis pelas crianças, objetivando o esclarecimento de que a influência alimentar de adultos sobre os infantes não deve ser nociva. A Escola, também parceira da proposta e formadora de opinião, por sua vez, deve incluir a temática em sua projeção curricular - por meio da abordagem em cartilhas - que explorem a alimentação como prática fundamental a uma vida de qualidade. Assim, espera-se que a compreensão manifestada por Durkheim ocorra sobre a criança, entretanto, em perspectiva de influência positiva.