Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 14/12/2020
De acordo com o livro Desafios da Nação, lançado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ao longo de toda a história brasileira, diversos entraves foram encontrados na tentativa de desenvolvimento da nação. Infelizmente, dentre eles, destaca-se, devido à sua recorrência na conjuntura atual, o combate à obesidade infantil. Nesse contexto, a partir de uma análise desse impasse, percebe-se que ele está vinculado não só a influência familiar, mas também consumismo.
Em primeiro plano, a familia é a pricipal reponsável por essa mazela. Segundo Durkheim, a consciência coletiva é um sistema de regras e tradições que exerce pressão sobre o ser humano de maneira a influenciar seu comportamento, desse modo, a família é uma forte moldadora da consciência coletiva. Nesse sentido, se as crianças crescem inseridas em um contexto social que é comum seus pais consumirem alimentos ultra processados industrialmente – ricos em gorduras, açúcares e sódio – a tendência é adotar esse comportamento também. Logo, maus hábitos alimentares de adultos reproduzidos por crianças emergem como aspecto decisivo para a obesidade infantil e, como prova, a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima que 41 milhões de crianças com menos de 5 anos estejam acima do peso.
Outrossim, o consumismo é outro fator para perpetuação da problematica. De acordo com o filósofo Byung Chul-Han, a sociedade vigente é movida pelo desempenho laboral e pela autoexploração, dessa forma, o consumo apresenta-se como forma de aliviar as inquietações resultantes desse quadro e alternativa para uma felicidade imediata. Então, na medida em que esse cenário é alicerçado pelo desenvolvimento industrial que privilegiou uma cultura alimentar prática, intensamente incentivada pelo discurso consumista, o estímulo à compra denota-se ainda mais magnificado, funcionando como fator adicional à busca por alívio paralelamente à construção de hábitos (em adultos e, consequentemente em crianças) desequilibrados e prejudiciais – como sedentarismo e futuras doenças crônicas.
Portanto, é necessário que as prefeituras, em parceria com o governo do estado, proporcionem a criação de uma Política Nacional de Enfrentamento à Obesidade Infantil. Para tanto, cabe, por meio das diversas mídias (eletrônicas e virtuais - com publicidades e ficções engajadas, protagonizadas por profissionais da saúde), a propagação de um discurso voltado aos responsáveis pelas crianças, objetivando o esclarecimento de que a influência alimentar de adultos sobre os infantes não deve ser nociva, explorando os imbróglios do consumismo exacerbado e a importância de uma boa alimentação como prática fundamental a uma vida de qualidade. Assim, o Brasil caminhará para um desenvolvimento saudável da nação.